A reaproximação EUA - Cuba ocorrida no final de 2014 marca o fim, ainda que parcial, de um embargo que durou 50 anos, "sem que o isolamento imposto à ilha tenha de fato funcionado", conforme declaração de Barack Obama no histórico 17 de Dezembro. Comentaristas políticos do mundo todo deram amplo destaque à notícia, especialmente alvissareira para os exilados e presos políticos de ambos os países, sem todavia deixar de se referir a inúmeras questões que ainda precisam ser equacionadas - política, liberdade, direitos civis, entre outras. Mas, segundo Obama, os dois países que agora se reaproximam poderão desde já avançar numa série de outras questões de interesse comum, como saúde, migração, contraterrorismo, combate ao tráfico de drogas, prevenção contra desastres naturais.

Publicidade
Publicidade

A menção à saúde pelo próprio Obama traz à tona o Programa Mais Médicos aqui implantado, e faz refletir sobre o que estaria por trás do sucesso de uma política de governo que conseguiu superar as dificuldades impostas pelo embargo econômico de várias décadas.

Apesar das consequências desastrosas do embargo sobre diversos aspectos da vida em Cuba, os indicadores de saúde revelam uma realidade que parece paradoxal diante da defasagem que a ilha enfrenta em outras áreas estratégicas, como tecnologia e infraestrutura. Com uma expectativa de vida de 79 anos, Cuba conta com um contingente de 67 médicos para cada 10.000 habitantes (contra uma média regional de 21 médicos para cada 10.000 habitantes), o que explica sua capacidade de não só atender ao Programa Mais Médicos do Brasil, como de contribuir com centenas deles para o combate à epidemia de Ebola na África Ocidental.

Publicidade

De acordo com matéria recentemente publicada pela revista científica "The Lancet", as principais doenças causadoras de óbito em Cuba são as típicas de países de alta renda - doença coronariana isquêmica, derrame, câncer de pulmão. Também, o índice de mortalidade materna de 39,8 para cada 100.000 nascidos vivos é baixo comparado ao de países como Brasil e México, e tem melhorado substancialmente na última década. Ainda, Cuba tem um índice de mortalidade infantil (abaixo de 5 anos) de 5,7, inferior ao dos EUA de 6,6 (para cada 1000 nascidos vivos).

O sistema de saúde em Cuba, gratuito e fortemente ancorado em programas de prevenção e atenção primária, proporciona bons resultados a um custo comparável ao dos países mais ricos entre os de renda média. Apesar das severas restrições a que o país foi submetido, o sistema de saúde de Cuba foi capaz de superar problemas que outros países ainda não superaram, o que se traduz num exemplo interessante do que pode ser alcançado quando se prioriza saúde e educação.