Já publicamos aqui a primeira e a segunda parte relativas a centenários que se completam em 2015. Referenciamos naquelas postagens, alguns brasileiros que fizeram por onde fazer parte de nossa #História. Desta vez, vamos destacar alguns episódios da história mundial que vem, hoje, à tona, muito mais pelo horror que causou do que propriamente por seus méritos.

No ano de 1915 a primeira guerra mundial fazia seu primeiro aniversário, e despontava como um dos mais sanguinários embates que o homem criou.

Foi naquele ano que a Alemanha estreou a guerra com armas químicas, usando produtos desenvolvidos pelos cientistas da época.

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Claro que os guerreiros em todos os tempos sempre se valeram do que estivesse à mão para derrotar o inimigo, e temos registros do uso de artefatos que continham produtos químicos entre os chineses e gregos cujo uso causava grandes estragos aos ataques inimigos nos mais remotos episódios bélicos da humanidade. Mas é a primeira guerra mundial que ostenta o nefasto título de ser a pioneira no uso de armas químicas como conhecemos hoje, e que deu origem a uma das regras da ética das guerras: As armas podem matar, mas não devem causar ferimentos supérfluos, cruéis, desumanos ou degradantes. 

No amor e na guerra, não vale tudo

Antes dessa “regra de cavalheiros” viger, o cientista alemão Fritz Haber desenvolveu um artefato com uma ideia mortal: obrigar as tropas inimigas a sair das trincheiras e, para isso, usou gás cloro nas bombas que, ao explodir, exalava a mortífera fumaça. Os soldados franceses foram os primeiros a sofrer o #Ataque. Cinco mil foram mortos pelos alemães que, vestidos com máscaras protetoras, puderam, tranquilamente, aniquilar os inimigos que lutavam contra o sufocamento causado pelos gases tóxicos. Naquela época, a guerra se travava no chão, com os soldados lutando frente a frente. Para contra-atacar, os franceses e os ingleses desenvolveram suas próprias armas letais que usavam outros gases.

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O uso dessas armas ficou disseminado e as mortes aconteciam com facilidade, caso os inimigos não estivessem preparados com suas máscaras. Infelizmente, encontramos episódios análogos nas guerras atuais. A ética é sempre esquecida nas guerras.

O autor da façanha tecnológica foi premiado com o prêmio Nobel de Química em 1918, ano em que a guerra chegaria ao fim. O químico, que tinha ascendência judia, acabou fugindo da Alemanha anos depois quando o nazismo caçava os judeus.

Podemos aprender com os erros

Nada temos a comemorar com tais fatos, porém, é inegável a importância de episódios assim no caminhar da nossa civilização. Às vezes, parece que damos alguns passos para trás em nossa evolução. Mas não é porque esses fatos são vergonhosos que devemos escondê-los ou esquecê-los. É preciso que sejam lembrados e usados como pontos de referência dos erros cometidos por nós. Não a criação ou descoberta de substâncias letais, mas o seu uso como armas, e pior, contra seus semelhantes. As pesquisas nessa área foram e são até hoje para desenvolver pesticidas e fertilizantes, e foram esses resultados que renderam o prêmio Nobel ao químico Haber, que ficou mais conhecido como sendo o “pai da guerra química”.