Na onda de comoção mundial causada pelo atentado à redação do semanário Charlie Hebdo, que resultou em mortes dos seus editores e desenhistas e dos seus assassinos, a edição seguinte foi publicada com número recorde de exemplares com um acréscimo de quase 2.000% de uma edição normal, chegando à cifra de um milhão de unidades, dos quais uma parcela foi exportada.

A quota que cabe ao Brasil já desembarcou em nossas terras e estará disponível aos que estiverem interessados, em bancas de jornal de 15 capitais, além de livrarias em rede como a Cultura e a Saraiva. Os exemplares serão no idioma original, francês, e virão em número de 10 mil, aproximadamente, 1/6 da tiragem semanal francesa.

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O preço será R$ 29,90.

A edição que tem na capa o desenho do profeta Maomé segurando uma placa com os dizeres: 'Estão todos perdoados', torna-se uma edição especial por dois motivos óbvios: é a primeira edição lançada após o atentado, que tem como intenção mostrar que 'a luta continua, companheiros'; e é a mostra que as ameaças (cumpridas) não afastaram, nem afastarão os ideais satíricos que sempre nortearam o trabalho da revista.

A edição numericamente espantosa e exportada para centenas de países mundo afora é o indicador de que a liberdade de expressão é um mote que muita gente quer defender, mesmo não sabendo o que isso significa, ou achando que os franceses mortos exageraram na dose e chegaram ao campo do desrespeito aos muçulmanos.

Je suis

Polêmicas à parte, os negócios e os números envolvidos na produção e divulgação dessa edição do Charlie Hebdo não são simples interesses de algumas pessoas.

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São, também, de grandes corporações e nações que estão interessadas nos desdobramentos dessa pendenga entre ocidente e oriente, cristãos e muçulmanos, nativos e estrangeiros. Tanto no bem, como no mal, afinal as guerras são, de longe, a melhor oportunidade que um país tem para vender material bélico de ataque ou de defesa, exércitos, proteção, etc e etc, e ganhar muito dinheiro.

Da parte de quem compra, o interesse está em possuir um exemplar histórico, que representa um momento importante de nossa história contemporânea. Pelo tamanho que o Brasil tem, vai faltar exemplar para quem tenha interesse.

Tu es

Gostando ou não do jeito que o Charlie tratava suas matérias, que incluía os políticos, a corrupção, as religiões e os costumes da sociedade em geral, não podemos negar que eles estão na vanguarda, no front de batalha de uma luta que busca uma sociedade liberal e justa. Podemos até dizer que eles erraram, mas quem não erra? Podemos até dizer que eles não quiseram se consertar; mas quem quer? Mas uma coisa não podemos negar: eles sabiam o que queriam fazer e faziam com muita propriedade.

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Pena que nossas sociedade tacanha não os entendia. Ou, vendo por outro lado, eles existiam exatamente por nossa sociedade ser tacanha e precisar que eles nos mostrassem isso. Assim como cada povo tem o governo que merece, cada sociedade tem os humoristas que merece. Ainda vamos continuar precisando deles.

Por isso, vou garantir meu exemplar, afinal, JE SUIS CHARLIE. E sou mesmo. #Terrorismo

Il est

E você?