Ao ouvir a notícia de que oito pessoas de uma revista francesa satírica foram mortas devido à uma ilustração em sua capa, sente-se estranheza. É muito difícil compreender o que leva seres humanos a matar outros seres humanos, sobretudo por questões religiosas. Nada, absolutamente nada justifica tal ato. Afinal, a liberdade de expressão existe, o livre arbítrio existe, porém, se analisarmos bem...

- Até que ponto a liberdade de expressão é válida? Por que será que essas mortes nos comoveram tanto?

- Até que ponto Maomé é sagrado pelos muçulmanos? Será que podemos entender o que se passa na cabeça de um muçulmano, quais seus valores?

- Se, ao invés de uma imagem de Maomé, tivéssemos a imagem de um santo católico, por exemplo, sendo ironizado, não iriam os católicos se revoltar?

- Será que, se ao invés da figura do Profeta, víssemos a ironia a um negro, um portador de necessidades especiais ou um homossexual, ainda assim aceitaríamos isso como liberdade de expressão? Quando é que a liberdade de expressão deixa de ser liberdade de expressão?

- Será que alguém aceita de bom grado quando lhe ferem no que tange à sua religião?

- Será que não devemos pesar as consequências, quando desrespeitamos alguém?

- Que tipo de conteúdo será que uma capa satírica acrescenta a alguém? Será que uma sátira vale mais que vidas?

- E finalmente, será que os 15.000 nigerianos anônimos que morreram nesses últimos cinco anos pelas mesmas circunstâncias que os cartunistas, porém por motivos divergentes, pois apenas professavam o Cristianismo - valem tanto quanto os oito jornalistas franceses? Será que alguém sabe o nome de pelo menos um deles?

 O momento é de fazermos menos polêmicas, de nos afligirmos menos com ideologias políticas e religiosas, de nos eximirmos de tomar esse ou aquele partido sem sabermos o contexto da situação, de não nos envolvermos em picuinhas. O momento é de nos preocuparmos e tomarmos atitudes que visem o bem-estar de todos, como por exemplo, salvarmos o planeta, pois desse dependemos e estamos dia após dia destruindo-o de forma inconsequente. #Opinião #Europa