Um brasileiro, um indonésio, um vietnamita, um holandês e dois nigerianos serão fuzilados no dia 18 de janeiro, na Indonésia. O motivo é a simples aplicação da lei local que determina a pena de morte para quem comete crimes como homicídio, terrorismo e tráfico de drogas. Consta que a maioria dos estrangeiros presos são condenados por tráfico de drogas. Nada desconhecido, apesar de polêmico. E por incrível que pareça, isso tudo não impede que pessoas façam besteiras como tentar entrar com drogas no país, como foi o caso do brasileiro.

Preso desde 2003 quando foi flagrado com mais de 10 quilos de cocaína no aeroporto de Jacarta, capital do país, Marco Archer Cardoso Moreira, hoje com 51 anos, não conseguiu reverter a decisão proferida no ano seguinte à sua prisão.

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Desta vez, na reta final, o governo indonésio recusou o pedido de clemência enviado pelo governo brasileiro. É o primeiro brasileiro na lista da execução, mas não é o único, pois há outro condenado pelo mesmo crime, cujo pedido de clemência também foi negado.

Mostrando sua face mais cruel, muitas vezes atrás de perfis anônimos ou com pseudônimos, muita gente apóia a condenação, alegando que lei só serve assim: forte e irredutível, que o condenado sabia dos riscos e tem mesmo é que pagar pelo erro, pouco importando o preço da conta. Não são todos, mas muita gente que pensa assim.

Depois de um atentado terrorista em Paris, em que profissionais foram mortos por vingança por causa de uma suposta ofensa cometida, a condenação desses presos vem à tona para colocar mais fogo na fogueira da discussão sobre erros, culpas e punições.

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A estrutura social, política e legal da Indonésia não é segredo, portanto o país pode aplicar suas leis de acordo com os seus preceitos, mesmo que organizações, pessoas e países mundo afora não concordem e peçam revisão das decisões. A população local, por outro lado, apóia a ação, a condenação, a execução, e ainda cobra que na lista de crimes puníveis com a morte seja incluída a corrupção, como acontece na China. Estarão errados eles, ou estamos nós, ao aceitar tantos pedidos de desculpas, de reconhecimentos de erros e promessas de correção no futuro? Estarão eles se desvirtuando do conceito de #Justiça ao aceitar um pedido de clemência?

Essas são as bases de uma discussão que tem como ingredientes a vida humana, as leis e a estrutura das sociedades. Cabe a cada povo determinar o que é melhor para sua própria maneira de viver. Cabe a quem é de fora se adaptar e respeitar os ditames estrangeiros.

Se a pena capital é forte demais para algumas sociedades e não deve ser usada, para outras é a medida certa para fazer a pessoa entender o quanto é proibido cometer certas ações.

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Os direitos humanos, tão reclamados e exigidos, parece que só entram em jogo na hora de atenuar as punições de criminosos. Não é bem assim. Exigir que a pessoa seja mantida viva, independente do crime, das leis e das punições previstas, mostra (ou quer mostrar) que a vida é um bem que vale a pena ser preservado. Não porque o criminoso vá se arrepender ou se corrigir, mas porque dar valor à morte só nos deixa mais próximos da violência. Cria em nós um estado permanente de vingança, nos deixando sedentos de sangue (como mostram os comentários publicados nas notícias da execução), e cegos diante de uma situação crítica, onde o que está em jogo não é uma lei, um crime, ou uma condenação.

O que está em jogo é uma vida; é a confirmação que fizemos errado na hora de educar nossos filhos, em escolher nossos representantes, em acreditar nas crenças que acreditamos sem nos darmos a chance de pensar um pouco sobre elas.

Há algumas centenas de anos era crime dizer que a Terra girava em torno do Sol. A punição: Morte na fogueira. Mudamos alguma coisa, ou ainda somos os mesmos inquisidores da Idade Média? #Legislação