Vêm de longa data as tentativas de unir, sob um só comando, as pessoas do mundo. Seja sob o poder do dinheiro, da espada ou da religião, sempre houve interações entre os grupos que resultaram em guerras ou em assimilações.

Quando ocorre um processo de assimilação, os dois grupos seguem juntos, compartilhando alguns valores iguais e respeitando os valores diferentes. Quando esse processo não acontece, há guerra. Nossa velha e conhecida forma de fazer o outro aceitar o nosso modo de vida, quando ganhamos, ou de nós aceitarmos o modo de vida do outro, quando perdemos.

Seria até bom se os processos fossem fáceis e simples, como uma equação de primeiro grau, com uma única resposta para o x do problema, porém não é assim que ocorre.

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Desde que o homem se percebeu frágil, tentou, por necessidade de sobrevivência, usar dos mais diversos engenhos para dominar seu território e diminuir os riscos dos perigos. Fez-se o homo belicus. Muito tempo depois ele começou a pensar e administrar seus bens, seus conhecimentos e suas capacidades para poder viver com mais segurança, em sociedade.

De lá para cá, milhares de idéias já foram lançadas na história e, como sementes no campo, umas vingaram, outras não. Uma dessas idéias foi a democracia, que reza que o poder emana do povo e por ele é exercido. O problema é que existem vários "povos" no mundo, e todos eles se acham no direito de emanar e exercer esse poder sobre si mesmos e sobre os outros. Como então eleger uma ideia que possa agradar a todos?

Nós, povos ocidentais, temos um pensamento diferente de muitos povos orientais.

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Não é porque é nosso que é certo, mas pensamos que é certo, porque é nosso. O diferente é logo taxado de errado e forçado a corrigir o pensamento que tem.

Os chineses, por exemplo, têm o hábito de comer carne de cachorro. Nós não e, por isso, condenamos essa atitude e achamos que eles precisam parar de sacrificar esses dóceis animaizinhos a quem queremos tanto bem. Não aceitamos, entretanto, que os indianos queiram nos fazer parar de sacrificar as vacas e comer a carne que tão bem cai no nosso prato diário. Nem mesmo nos preocupamos com a vida desses milhões de animais que abatemos diariamente para nos alimentar.

Nós costumamos acolher as pessoas, mas é bom que elas venham despidas de suas ideias. As ideias diferentes serão sempre consideradas alvos de mudanças. O curioso é que as ideias deles estão sempre erradas e as nossas, nunca. Quão perfeitos somos nós, não é verdade?

Os mais recentes acontecimentos em todo o mundo nos forçam a pensar que algo de mais forte e perigoso vai acontecer, pois as interações entre os povos com ideias diferentes estão causando atritos que indicam não haver assimilação.

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Está mais para a guerra. Os povos em questão foram democráticos tolerantes que acolheram diferentes povos estrangeiros em suas terras. Os forasteiros não admitem as ideias dos anfitriões, que não admitem as ideias trazidas pelos peregrinos.

Como vimos antes, a equação é mais complexa que podemos imaginar, por isso acreditar que a solução vai ser encontrada parece ser uma opção fantasiosa. A tendência é não encontrarem o ponto certo e partirem para a guerra. Mais guerras pequenas, ou mesmo uma grande.

Esse é o mal da democracia: a gente tolera o intolerante, mas este não aceita nossa tolerância e logo quer nos fazer mudar de ideia. #Crise