A Europa sofre com agitações sociais de fundo religioso e econômico por causa de imigrantes que foram morar lá. Após séculos de expansão comercial e invasão territorial, que culminaram com a chegada dos europeus às novas terras e com a colonização de parte da África e da Ásia, hoje a Europa se ressente da invasão de seu território.

Milhões de indivíduos foram às cidades europeias atrás de moradia, saúde e emprego numa época em que o continente precisava receber esses estrangeiros. A drástica diminuição da população nas cinco primeiras décadas do século passado, após duas grandes guerras, e baixas taxas de natalidade deixaram as sociedades necessitadas de mão-de-obra.

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O movimento de independência de inúmeras colônias das nações europeias permitiu que fosse maior o número de viajantes com destino às metrópoles colonizadoras. Nesse contexto a Europa foi "invadida" por gente que trazia seus costumes, suas ideias, suas culturas, suas crenças. E assim como os europeus levaram os seus valores quando viajavam mundo afora, esses novos moradores não deixaram nada em suas terras originais. Ninguém quer trocar o que conhece pelo desconhecido. Viver não é um passeio turístico.

O acolhimento do estrangeiro - muitas vezes por necessidade - era fácil de ser feito, porém essa guarida era somente física. Eram necessários apenas o trabalho e o dinheiro dessa gente. Suas idéias, seus valores, suas culturas não deviam fazer parte das bagagens. Mas faziam.

Quando minha cultura vale mais que na sua

Cada indivíduo tem o direito de ter o seu cabedal cultural.

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Pensamos assim em nossa cultura ocidental e democrática e seguimos amparando os viajantes e nos aproveitando de sua força de trabalho. Mas, de minoria silenciosa e trabalhadora, essa gente começa a se organizar e se tornar um "povo" sem nação dentro de outra nação.

Atritos começam a acontecer quando as idéias e valores são desembalados das bagagens e postas em ação. Os nativos sentem o incômodo no seio de sua própria população. Porém, quem age agora não são mais os estrangeiros, e sim as gerações nascidas deles, que já tem, por direito, todos os privilégios como cidadãos.

Grupos nacionalistas se organizam e reivindicam privilégios para os que têm ancestralidade europeia. Reclamam que os postos de trabalho estão sendo ocupados pelos "imigrantes", que sua liberdade anda tolhida e sua segurança, ameaçada.

A criação da Comunidade Europeia facilitou o trânsito das pessoas entre os países. Tal liberdade, por segurança, era limitada em tempos de guerra. Mais um tempero para os segregacionistas usarem em sua luta.

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Ninguém gosta de ser invadido, por isso esses movimentos são de auto-preservação.

Vivemos a parte incômoda do 'te aceito, mas com condições': É quando 'as condições' começam a não serem respeitadas por quem foi acolhido. Ninguém nunca fala que elas existem, nem explicita quais são, mas espera-se que o viajante saiba se portar em terras alheias. (Como se os europeus soubessem. Eles, que dizimaram civilizações na América). Curioso é que quem dá o aval para que as barreiras políticas caiam, que os povos interajam e que pessoas invadam seu quintal é o Governo. O Governo que representa o povo, que é dono do poder.

Mas democracia é assim mesmo. Supõe-se que o povo tem o poder e que o governo o exerce em nome do povo. Agora o povo está dizendo: Não queremos mais isso, nem essa gente. Mas quem é o povo? Há isso de ser "mais" povo ou "menos" povo?

A resposta só teremos nos livros de História do futuro. Aguardemos e vejamos ela sendo escrita. #Crise