A onda de protestos contra a nova charge do profeta Maomé, publicada na quarta-feira (15), pelo semanário francês Charlie Habdo, continua no Níger. A nova edição da revista traz estampado na capa os dizeres 'Toutest Pardonné' (Tudo está Perdoado) e logo abaixo, uma caricatura de Maomé com uma placa dizendo 'Je suis Charlie' (Eu sou Charlie).

Os protestos, que começaram em algumas ex-colônias francesas na sexta (16), já provocaram dez mortes.

Protestos em Zinder

Os protestos começaram na sexta, em Zinder, onde cinco pessoas morreram e quarenta e cinco ficaram feridas, sendo um guarda e quatro civis, segundo o ministro Massaudu Hassumi.

Publicidade
Publicidade

Um dos corpos foi encontrado ontem, carbonizado em uma igreja. Moradores declaram que casas de cristãos foram saqueadas e igrejas foram incendiadas.

Os manifestantes foram convocados por mensagem de texto (SMS) e o protesto desencadeou atos de violência. Eles atacaram duas igrejas evangélicas, uma católica e incendiaram o Centro Cultural Franco-Nigeriano (CCFN).

De acordo com o ministro Hassumi, alguns manifestantes foram vistos carregando bandeiras do Boko Haram, grupo radical islâmico que espalha o terror e controla cada vez mais cidades da Nigéria.

Protestos em Niamei

Segundo o presidente nigerino, Mahamadou Issoufou, pelo menos cinco civis morreram ontem durante protestos na capital nigeriana. Quatro deles foram mortos em bares e igrejas.

Após a proibição da marcha organizada pelos líderes muçulmanos de Niamei, manifestantes colocaram fogo em pelo menos dois carros da polícia do lado de fora da principal mesquita em Niamei.

Publicidade

A polícia teve que disparar gás lacrimogênio para conter manifestantes que atiravam pedras pelas ruas. 

A embaixada da França em Niamei pediu ontem a seus cidadãos, que evitem deixar suas casas, devido à violência das manifestações.

Após as orações de sexta-feira, marchas aconteceram nas capitais de outros países no oeste da África (ex-colônias francesas), como Senegal, Mali, Mauritânia e Argélia (norte da África).  #Crise