O massacre, amplamente noticiado, foi praticado por terroristas e deixou 12 pessoas mortas e 11 feridos, inclusive quatro cartunistas de fama internacional. Aconteceu na sede do jornal "Charlie Hebdo" e abalou Paris e o mundo. Terrível golpe à liberdade de expressão que atingiu não só a França, mas também o resto do mundo. Seus autores, agora também de nomes amplamente divulgados, são os franceses Saïd Kouachi, treinado na Península Arábica, e Chérif Kouachi, ambos de origem argelina. No ato, diziam-se representantes da AL-Qaeda.

No "Le Monde", Melek Boutih, deputado socialista, fundador e primeiro presidente do "SOS Racisme" francês, ao elogiar o "comportamento digno e responsável de seus compatriotas" sobre as reações à barbárie, afirmou "on a affaire à un nazisme nouveau", em que se engloba "nova forma de nazismo ou nazismo islamita de pessoas que não têm nenhum limite", inspiração, aliás, do título deste artigo.

Publicidade
Publicidade

Está restando ainda o otimismo do presidente François Hollande: "J'ai confiance en vous, j'ai confiance en notre pays" ("Eu tenho confiança em vocês, eu tenho confiança em nosso país").

Tragicamente, o mundo inteiro já sabe como aconteceu. A questão agora, também, não está ligada somente à captura dos terroristas e sim às repercussões e consequências do crime. Como tratar, por exemplo, o fundamentalismo islâmico? Com a compreensão de que, como seus líderes já tentaram justificar, que há seguidores que agem por conta própria, ou como instituição doutrinária que prepara terroristas, prontos, a qualquer momento e situação, para ações de defesa de convicções extremistas, como parece ter sido esta? Será? Não importa: trata-se da prática de uma doutrina intolerante, perversa, covarde, que deve ser combatida.

Publicidade

E injustificável. As expectativas, em consequência, são preocupantes.

E os campos de treinamento que mantém? O uso ostensivo de armas pesadas, o desrespeito pelas legislações dos países em que atuam, qualquer um, hipocrisia que afronta e aterroriza. Além do flagrante desrespeito à vida das pessoas, inocentes que não aceitam suas doutrinas e imposições, também seus vizinhos e outros espalhados pelo mundo, indiscriminadamente.

O #Terrorismo é repudiado por países e líderes de organismos internacionais. Jornais em todo o mundo abriram manchetes de condenação, o repúdio é ressaltado por chefes de governo. Há repetidas declarações de apoio à França e a seu povo, com palavras inerentes ao atentado como covarde, cínico, abominável, barbárie, sangrento e intolerável. Obama, o chamou de "horrível atentado". O presidente russo Vladimir Putin condenou o "terrorismo em todas as formas". Não só árabes mas também judeus, em conflito entre si, condenaram o massacre. E ainda há a convocação do premier Benjamin Netanyahu, pedindo união de todos na "luta determinada contra o terrorismo islamita".

Publicidade

Já no Irã, a porta-voz, Marzieh Afkham, ao afirmar que qualquer ato de violência está fora dos ensinamentos do Islã, aproveitou a oportunidade para condenar a violência praticada por Israel contra os palestinos. Esperta!

A condenação se estende, como não poderia deixar de acontecer, ao fato de ser o atentado contra à liberdade de imprensa. Aqui, a Federação Nacional de Jornalistas do Brasil, ao condenar o atentado, ressaltou, também baseado no que acontece no Brasil, em muitos casos, que a "impunidade alimenta a violência contra jornalistas". É o nosso exemplo?