A #Manifestação de repúdio ao terror realizada no domingo em Paris colocou na rua quatro milhões e meio de pessoas, inclusive chefes de Estado, estes marchando de braços dados. Entre eles, não estava o do governo brasileiro e os que a ele se alinham. Houve, antes, manifestações de pesar e apoio. Os ataques terroristas ao jornal Charlie Hebdo e a uma mercearia que causou a morte de 17 pessoas, mobilizaram 60 governantes, entre chefes de Estado e governo para uma solidariedade comovente.

Não apenas por solidariedade, mas também em defesa da liberdade de expressão. Na abertura da marcha, o presidente francês François Hollande, em pronunciamento, disse que Paris se tornava a capital do mundo, acrescentando que o seu país se ergueria "com o que há de melhor."

Ter convicções e lutar por elas é direito inalienável, mas manifestar-se contrariamente num momento em que a prática de crimes covardes são praticados contra inocentes por motivações ideológicas ou políticas, repudiando ações pelas quais se deve punir criminosos, é degradante e inconcebível.

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É opor-se a toda a humanidade. É desprezar a vida dos que foram sacrificados. Perdão: é avalizar atos terroristas. O que é impressionante é o teor das declarações. É apoiar uma barbárie.

Há uma declaração do escritor francês Daniel Pennac, citada em O Globo, resultado de entrevista: "A extrema direita já está instrumentalizando a tragédia. Estou triste por meus amigos islâmicos". Mas quem são os "amigos islâmicos" pelos quais ficou triste? Os criminosos mortos ou os que se confundem com eles pela nacionalidade?

O que disseram os brasileiros? Está no facebook. O ex-presidente Lula disse: "O governo da França foi de extrema violência no desfecho do atentado da revista Charlie Hebdo". Maria do Rosário (Direitos Humanos) disse: "Todo cidadão tem o direito de ir e vir, lutar por sua pátria.

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Foi um ato de muita violência da polícia francesa". A deputada federal Jandira Feghali disse: "Deixo aqui o meu repúdio contra o governo da França, pelo ato tão violento contra cidadãos que lutam pela ideologia de seu país". Tão absurdo que parece mentira.

Defendem "cidadãos", alegando o direito de ir e vir, deploram a violência praticada contra eles, defendem os que têm o direito de lutar pela sua pátria, de lutar pela ideologia de seu país. Lindo, não? Não devem ser presos porque, afinal, lutam por ideologia, defendendo uma causa justa. E, se presos, são julgados (se tanto) e têm o direito à liberdade. Para cidadãos tão especiais, por que tratá-los como terroristas? Covardia dos que praticam a democracia!

Voltemos à manifestação, imensamente maior que qualquer palavra de desaprovação. Emocionante o cântico da Marselhesa, Hino Nacional da França, entoado com entusiasmo pelo trajeto, por um vibrante coral de milhares de vozes. Em certo momento, a imensa multidão, numa tocante homenagem às vítimas, guarda um solidário minuto de silêncio, muito mais expressivo que sons de metralhadoras.

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Inesquecível homenagem aos que defendem os ideais democráticos! #Terrorismo