O brasileiro foi preso, na Indonésia, em 2003 sob a acusação de tráfico de drogas. Segundo consta, tentou entrar com 13,4 kg de cocaína acondicionada no interior de asa-delta. Foi condenado, portanto, em 2004, à pena de morte. Pedidos de clemência seguiram pelo governo brasileiro, sem resultado, sem causar alteração da pena. Nesta semana, Marco já foi transferido de onde estava para a Ilha de Nusa Kambabgan, local onde ficou isolado até o fuzilamento. Doze homens foram recrutados para a tarefa.

Como é de praxe, por esses dias (três dias antes), o condenado foi comunicado da execução, para preparar-se psicologicamente e expressar seus últimos desejos.

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O Itamaraty, pelo anúncio de seus integrantes, comunicou que tentou impedir e que os dois presidentes, do Brasil e da Indonésia, entraram em contato, mas sem resultado.

Aliás, o papel do presidente da Indonésia, Joko Widodo, era fundamental, pelo poder que possui em situações como esta. Ele poderia reverter a situação. Em se tratando ser Marco Archer o primeiro brasileiro condenado à morte no país, talvez haja uma motivação excludente. Provavelmente foram seis pessoas já condenadas à morte no país por crime ligado ao narcotráfico. No caso do brasileiro, recursos foram esgotados, com resposta sempre negativa. Uma alternativa seria a extradição, se houvesse tratado entre os países. Se isso pudesse acontecer, Marco seria beneficiado pelo constrangimento que seria aplicar, no Brasil, uma pena que aqui não existe.

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Como não há o tratado, nada feito.

Um amigo de Marco, que acompanhou o caso e observou a legislação aplicada na Indonésia e no Brasil, citou o caso de um indonésio que foi julgado e condenado aqui (durante o tempo decorrido da prisão do amigo), cumpriu pena e foi deportado. E acrescentou que o Brasil poderia ter proposto uma troca dos dois à Indonésia. Cochilo, inconveniência ou desamparo legal?

Em 2006, após reconhecer cabalmente o crime, Marco apelou às autoridades que também reconhecessem que ele já estava pagando pelo crime, que não era "preciso matá-lo", como se isso fosse abrandar a aplicação da lei. A execução ocorreu hoje!

Mais um brasileiro, o paranaense Rodrigo Gularte, está condenado a morrer na Indonésia. Preso no aeroporto de Jacarta, em 2004, já que tinha, dentro de oito pranchas de surfe, 12 pacotes de cocaína . Apesar de estar com dois amigos, assumiu sozinho o crime.