O número de vítimas está para ser confirmado, mas há rumores que chegue a duas mil. Já seria motivo de indignação se fosse "apenas" uma pessoa, por isso, não podemos aceitar nenhuma ação deste tipo contra seres vivos. Se nem nas guerras é aceitável a morte de soldados, menos ainda quando nos referimos a civis.

O grupo terrorista extremista islâmico Boko Haram se dedica à implantação dos ideais islâmicos na Nigéria. Em algumas sociedades muçulmanas não há separação entre a religião e o direito, por isso, todas as leis que regem a sociedade são religiosas e baseadas nas escrituras sagradas ou nas opiniões de líderes religiosos.

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Esse sistema é conhecido como Charia.

Como questão política, nada a reclamar, afinal cada um pensa e acredita no que bem entender, porém, a maneira pela qual esses ideais são colocados em prática pode e deve ser questionada se feita de forma a impedir o usufruto do direito de quem pensa diferente.

Não é bem assim que o grupo Boko Harum pensa. Suas ações violentas parecem mais que foram feitas para chamar a atenção de todos e meter medo nas populações. Bombas explodidas, sequestros e mortes são cometidas sem o menor escrúpulo, sem a menor razão, e com a maior brutalidade possível.

Há alguns meses o grupo se responsabilizou pelo sequestro de mais de duzentas crianças e adolescentes do sexo feminino, alunas de uma escola. As ideias que fundamentaram a ação dizem que as mulheres não devem estudar e somente viver para servir aos homens com os quais se casarem.

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E elas casarão, pois não há falta de homens interessados em ter uma esposa dessas naquelas regiões onde o Boko atua.

Dessa vez, o #Terrorismo do grupo volta às manchetes, por causa da invasão da cidade de Baga, situada no nordeste da Nigéria. Esta era a última cidade da parte Norte do país a ser conquistada pelos extremistas. Para alcançar essa meta, os militantes se comportaram como se fossem bárbaros da Idade Média em guerra: entraram atirando contra as pessoas, ateando fogo em casas e em estabelecimentos comerciais.

A dominação da cidade fecha agora a possibilidade de trocas entre os países vizinhos como Níger, Camarões e Chade. Baga é uma cidade portuária do Lago Chade e muitos tentaram fugir por ali. Alguns morreram afogados.

A Nigéria é um país dividido pela religião, tendo o sul cristão e o norte muçulmano. O número de muçulmanos se tornou maior que o de cristãos e essa diferença estimulou os militantes extremistas a exigirem que o Charia seja implantado em todo o território nigeriano.

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A parte norte está vivendo sob o comando do Boko Harum, mas não por escolha e sim por ameaças. Uma guerra civil está acontecendo, talvez, ainda de pequenas proporções e somente dentro da Nigéria. Não demorará e os países vizinhos serão alvo da sanha terrorista. Como e quando se dará uma intervenção? Será que tais "picuinhas" intestinas de países que mal se suportam de pé sozinhos não interessam aos G4, G8, G20, ou outros grupos de países do primeiro mundo. Ou somente quando a produção de petróleo da Nigéria começar a falhar por causa das indisposições político-religiosas internas, os países ricos se manifestarão, como se tivessem, realmente, interesse na solução do conflito?

Boko Harum significa "a educação ocidental é um pecado". Já que a educação não serve, talvez só sirvam mesmo os petrodólares que chegam até o país, enviados pelo ocidente pecador.

Pena que as vidas de milhares de pessoas sejam consideradas inúteis. Pelos que matam, e pelos que não a defendem. #Crise