Mesmo após a revista satírica Charles Hebdo ter sido alvo de atentados por muçulmanos, devido a apresentar uma ilustração do Profeta Maomé, o que configura sacrilégio pelos islamitas, ela volta a apresentar outra figura do Profeta, dessa vez segurando nas mãos a frase símbolo de defesa à livre imprensa: "Je suis Charlie" (Eu sou Charlie). Acima da cabeça de Maomé, lê-se: "Tout Est Pardonné" (Tudo está Perdoado).

A ambiguidade entre a gravura e a manchete é nítida, porém não há dúvida quanto à ironia expressa. Várias foram as repercussões desse fato:

Lançada na quarta-feira passada (14/01), em várias nações de maioria muçulmana a nova edição da revista foi proibida.

Na Turquia, vários sites da web mostrando a capa da Hebdo foram interditados depois que um advogado entrou com petição alertando que poderia haver desordem pública. Caminhões com as revistas foram confiscados antes que a capa pudesse ser reproduzida de alguma forma.

O jornal sul-africano The Citizen, declarou ter se arrependido de quaisquer ofensas causadas aos muçulmanos.

O jornal queniano The Star publicou uma pequena cópia da ilustração da capa de Hebdo. O regulador de #Mídia do país processou o jornal por acusá-lo de romper com a decência. Isso poderá custar o descredenciamento de seus jornalistas.

O jornal francês Liberation também foi proibido de circular no Senegal, pois trazia em sua primeira página a imagem da capa da Hebdo.