Conforme antecipado pela revista "The Lancet" em seu editorial de 15 de novembro, aconteceu de 19 a 21 daquele mês, em Roma, a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (Second International Conference on Nutrition - ICN2), organizada pela OMS e FAO, com a participação de ministros de governos e diversas entidades públicas e privadas do mundo todo. Uma boa nutrição é fundamental para a saúde e o bem-estar das pessoas, mas, de acordo com estimativas recentes da FAO, cerca de 805 milhões de pessoas (o equivalente a mais de um décimo da população mundial) permanecem cronicamente subnutridas. Subnutrição é a principal causa de morte de crianças com menos de 5 anos de idade, enquanto que mais de 2 bilhões de pessoas são afetadas por deficiências de micronutrientes como iodo, vitamina A, zinco e ferro.

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De acordo com o Primeiro Relatório Global sobre Nutrição divulgado na ICN2, a situação relativa à subnutrição pouco evoluiu desde 1992, quando da realização da 1ª. ICN, e, adicionalmente, o mundo se depara hoje com uma epidemia global de sobrepeso e obesidade e de doenças crônicas degenerativas associadas à dieta.

Os dois principais documentos resultantes do ICN2 são a Declaração de Roma sobre Nutrição e Arcabouço para Ação, cujos textos haviam sido previamente acordados entre os participantes. A Declaração inclui compromissos para erradicar a fome e todas as formas de má nutrição, para aumentar investimentos em intervenções eficazes, e para desenvolver políticas coerentes voltadas a incrementar sistemas alimentares sustentáveis.

Essas recomendações sofreram críticas por não representarem avanço importante em relação a ICN de 1992 e por não darem a importância necessária para a questão das dietas e sistemas alimentares sustentáveis.

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De acordo com os críticos, a ICN2 deveria ser usada como uma oportunidade para chamar mais atenção para a nutrição na agenda de desenvolvimento sustentável pós-2015. Na prática, apenas uma das 169 metas pra os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se refere a nutrição - a redução do baixo peso e estatura para crianças com menos de 5 anos de idade. Embora importante, esta única medida é inadequada para abranger todos os desafios globais da má nutrição, incluindo subnutrição, deficiências de micronutrientes, bem como sobrepeso, obesidade e doenças crônicas degenerativas associadas à dieta. São necessárias metas mais específicas que abranjam todas essas questões para motivar os diversos agentes a enfrentar esses desafios fundamentais.

Além da definição dessas metas, o direito à nutrição adequada deve ser integrado à agenda de desenvolvimento sustentável, o que impõe a resposta urgente a uma série de outras questões - O que deve ser uma dieta saudável e sustentável em diferentes culturas, países, contextos? Como harmonizar a necessidade crescente de alimentos e sua produção, com sua influência sobre as mudanças climáticas? Como lidar com sobre consumo e desperdício? São questões intrigantes que precisam ser equacionadas para sermos capazes de assegurar um futuro duradouro de nutrição adequada para todos.

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