O atentado que aconteceu hoje (07) na redação do jornal "Charles Hebdo", conhecido pelas sátiras que faz, deixou 12 mortos. Entre eles, dois eram policiais.

De acordo com a polícia e relatos dos sobreviventes que estavam no local, três homens entraram armados na sede da redação, atiraram e fugiram de carro com uma quarta pessoa dirigindo. Eles dirigiram até a região nordeste da cidade, próximo da estação de Porte de Pantin, e abandonaram o veículo utilizado, expulsaram um motorista na rua e seguiram com o novo veículo.

A sede foi invadida às 8h30 no horário de Brasília (11h30 no horário de Paris). Todos os atiradores estavam mascarados e utilizaram metralhadoras AK-47.

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Até agora, quatro pessoas estão feridas em estado grave.

Entre os mortos, estão o cartunista Jean Cabut e Stéphane Charbonnier, que é diretor da publicação. As pessoas que estavam no local afirmaram que os atiradores chamavam as vítimas por seus nomes, o que sugere que a ação foi planejada. Segundo Vincent Justin, jornalista que estava presente no edifício, os atiradores gritavam "vamos vingar o profeta".

O presidente da França, François Hollande, afirmou que se trata de um ataque terrorista, sem dúvidas. Após o ataque, foi decretado estado de alerta e ele convocou reunião de crise em seu palácio. A sede do jornal fica próxima da praça da Bastilha, no 11º distrito de Paris. O alerta terrorista nessa região está máximo no momento.

Histórico

Essa não foi a primeira vez que o jornal satírico foi alvo de ataques.

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Em 2011, após serem publicadas uma série de caricaturas sobre Maomé, o local foi alvo de incêndio criminoso. Os ataques foram feitos por líderes muçulmanos e do profeta.

O jornal já se tornou conhecido em todo o mundo por publicar caricaturas de Maomé, que são vistas como ofensas aos muçulmanos e sempre provocam ameaças.

Mas o jornal envolve polêmica desde a sua criação. Já em 1970, o jornal satírico "Hara-Kiri" divulgou uma matéria com o título "Baile Trágico em Colombey: um morto" se referindo ao militar e ex-dirigente da Resistência à ocupação alemã. O exemplar foi proibido de circular no país.

Para contornar essa proibição, foi criado o "Charlie Hebdo", que nasceu com pitadas de humor negro em cada publicação. O jornal se define como um espaço libertário na mídia local.

Entre os assuntos polêmicos que já foram alvo do jornal, estão a hierarquia judaica, catolicismo conservador, extrema direita, Partido Comunista e o #Terrorismo islâmico, que sempre se mostra o mais polêmico e perigoso entre os demais.