Islamabad, Cairo. Milhares de islâmicos realizaram protestos violentos em vários países árabes nesta sexta-feira (16) e foram às ruas para protestar contra a edição da semana da revista Charlie Hebdo, em que aparece o profeta Muhammad como caricatura no Paquistão. Houve confrontos violentos entre a polícia e manifestantes, enquanto na Nigéria islâmicos incendiaram igrejas cristãs. Também foram relatadas manifestações na Argélia, Jerusalém e Jordânia.

Na cidade paquistanesa de Karachi, os 400 apoiadores de um partido islâmico tentaram invadir o consulado francês após as orações de sexta-feira, segundo informações de um alto funcionário da polícia Pir Shah Muhammad.

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Três pessoas ficaram feridas, incluindo um fotógrafo da agência de notícias francesa AFP paquistanês.

Um repórter foi atingido na cabeça com um ferimento de bala e a polícia disse que foi disparado por manifestantes. No entanto, os manifestantes acusam as forças de segurança. Os agentes disseram que teriam disparado tiros de advertência para o meio da multidão, mas depois voltaram atrás e negaram.

Foram chamadas tropas paramilitares para reforçar e para proteger o consulado. Desconhece-se se havia pessoas no interior do edifício. Em todo o país, foram às ruas centenas de milhares de pessoas para protestar contra as charges, de acordo com dados da polícia local. As marchas foram realizadas por grupos e partidos islâmicos.

Delitos imputados ao Profeta Maomé já causaram muitos protestos violentos no Paquistão no passado.

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Por exemplo, mais de 12 pessoas morreram em 2012 durante as marchas em massa em protesto contra o um filme considerado um insulto a Maomé.

O primeiro-ministro, na quinta-feira, condenou a publicação das caricaturas de Maomé na capa da primeira edição de Charlie Hebdo após os ataques da semana passada em que dois militantes mataram 12 pessoas na redação da revista. "A liberdade de imprensa não deve ser usada para ferir os sentimentos religiosos", disse o primeiro ministro. O Parlamento da Islamabad condenou por unanimidade o desenho.

Um outro protesto contra a revista francesa foi em Níger, na sexta-feira, e tornou-se violenta, pois manifestantes incendiaram igrejas e saquearam lojas dirigidas por cristãos, segundo moradores. Quatro pessoas morreram e 45 ficaram feridas em Zinder, a segunda maior cidade do país. Entre as quatro vítimas estavam três civis e um policial, disse o ministro Massaudu Hassumi. Vinte agentes da polícia e 23 manifestantes ficaram feridos

Em Zinder, uma ex-colônia francesa, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra a multidão de centenas de pessoas enquanto elas queimavam pneus nas ruas.

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"Os manifestantes gritaram em sua língua local: Charlie é satã, o inferno vai pegar aqueles que apoiam Charlie".

Milhares também marcharam na Argélia contra Charlie Hebdo. As marchas lideradas pelo lema "Somos todos Mohammed", após as orações da sexta, foram acompanhadas pela presença massiva da polícia. Alguns participantes aplaudiram os atacantes em Paris e chamou-os "mártires". #Manifestação