Nessa quarta-feira, 18, aproximadamente 400 mil pessoas saíram às ruas de Buenos Aires, capital da Argentina, em marcha para pedir justiça à morte do promotor de justiça, Alberto Nisman. Porém, o governo do país viu a situação como uma marcha opositora contra a Presidente Cristina Kirchner.

O movimento foi liderado por nove promotores, acompanhados de familiares de Nisman. Logo atrás, a multidão seguiu o grupo. O protesto foi batizado como a "Marcha do Silêncio" ou "18F", referência a data da passeata, 18 de fevereiro, exatamente no aniversário de um mês da morte do promotor de justiça. O movimento também ocorreu nas redes sociais e não aconteceu apenas em Buenos Aires, mas também em cidades como Rosário, Mendonza e Córdoba.

A multidão pediu justiça ao caso, mas kirchneristas (apoiadores da Presidente), criticaram a situação, afirmando que a oposição se aproveitou do momento para atingir o governo atual. De acordo com o porta-voz do governo argentino, Jorge Capitanich, a multidão continha cartazes contra o governo e agressivos à Presidente. Ainda segundo Capitanich, "de baixo do silêncio, houve uma dose de crítica", concluiu o porta-voz.

No último discurso da Presidente Cristina Kirchner, que aconteceu horas antes da #Manifestação, a mandatária ignorou o protesto, não se pronunciando sobre o assunto. Na ocasião, Cristina estava inaugurando uma usina nuclear na capital argentina.

O país passa por um momento crucial, em que governo e poder judiciário estão divididos. O fato potencializador desse momento foi a morte de Nisman. O promotor de justiça foi encontrado morto, no dia 18 de janeiro, no banheiro de seu apartamento. A morte de Nisman aconteceu quatro dias após ele ter denunciado a Presidente e o Ministro das Relações Exteriores, Hector Timerman, de terem acobertado os responsáveis pelo maior atentado terrorista do país.

A tragédia em questão aconteceu em 1994. O ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) resultou em 85 mortos e mais de 300 feridos. O principal suspeito do caso é o Irã, mas segundo as acusações de Nisman, a atual Presidente teria, na época, escondido provas importantes por razões comerciais.