Marco Archer Cardoso Moreira, 53, o brasileiro condenado por tráfico de drogas, e fuzilado na Indonésia em janeiro passado (18), não teve direito a receber a extrema-unção - revela o padre que encontraria o ex-instrutor de voo livre, horas antes do fuzilamento.

O brasileiro, que chorava muito durante todo o tempo em que esteve no corredor da morte, pediu "humildemente", segundo palavras do padre indonésio Charles Burrows, que atenderia Archer durante os últimos momentos, dando, enfim, as palavras de conforto e aplicando o Sacramento que, na Igreja Católica Apostólica Romana, é o lenitivo e o perdão de todas as faltas cometidas em vida, para que o fiel ingresse, sem mácula, na vida eterna.

O padre Charles concedeu uma entrevista à rede australiana "Fairfex Media", divulgada pelo jornal "The Sydney Morning Herald", em que revelou ter ocorrido um desentendimento que o impediu de ir ao encontro de Archer, que era católico e havia solicitado ao Governo da Indonésia, como parte dos últimos pedidos, a presença do religioso. "Os guardas (da prisão na Indonésia) foram muito solícitos e educados comigo todo o tempo, mas o Procurador não me forneceu a carta de acesso à ilha. A Embaixada Brasileira ficou extremamente aborrecida, repetindo que esta atitude feria a dignidade e os direitos básicos de todo ser humano. Nos países em que há a pena de morte, os condenados, em algum momento do processo, receberão a visita de um padre, ou de um pastor, caso seja de sua vontade, para aliviar-lhes a alma. Ninguém consolou o brasileiro (Marco Archer)", disse ele.

O padre também forneceu detalhes revoltantes sobre os últimos instantes do brasileiro, que precisou ser retirado à força da cela, implorando por socorro, sem parar de chorar.

Archer foi preso, julgado e condenado à morte, após tentar entrar no país com 13 quilos de cocaína nos tubos de uma asa delta (ele era instrutor de voo), em 2004.

A entrevista do padre Burrows vem a público logo depois do Brasil recusar a carta de apresentação do novo embaixador da Indonésia no Brasil, Toto Ryianto, na sexta-feira (20). Toto Ryianto compareceu à cerimônia com outros embaixadores, mas foi o único a ter a sua carta recusada.

A presidente Dilma Rousseff pede que haja uma evolução da situação, para que possa ser definida a relação atual entre o Brasil e a Indonésia. Dilma ainda assinalou que "a carta de Ryianto não foi recusada, trata-se apenas de um adiamento da entrega das credenciais ao indonésio, como embaixador, nada mais".

O governo brasileiro havia pedido clemência no caso Marco Archer, com intervenção da própria presidente, sem sucesso.

Agora outro brasileiro aguarda pela execução: Rodrigo Gularte, 42, também preso em 2004 por tráfico de drogas. Gularte foi diagnosticado como esquizofrênico e a Procuradoria Geral do país vai solicitar outra opinião médica, uma vez que de acordo com a legislação, o condenado deverá estar em posse de suas faculdades mentais.

O Ministro das Relações Exteriores enviou, na última quarta (18), uma carta ao diretor da penitenciária em Pssar Putih, onde Gularte está preso, pedindo sua transferência para a cidade de Yogyakarta, onde há um hospital psiquiátrico penitenciário. #Justiça