A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, participou nesta quarta (18), de uma cerimônia que marcou o avanço da produção de energia da usina nuclear de Atucha II, em Zárate, cidade ao norte da capital, Buenos Aires.  

No discurso, de cunho profundamente nacionalista, Cristina Kirchner enfatizou os avanços alcançados durante seu mandato, ignorou completamente os protestos, e não fez nenhuma citação à marcha que pretende reunir milhares de pessoas, no início da noite nesta quarta (18), nas ruas de Buenos Aires.  

A marcha é organizada por promotores de Justiça, e é considerada por integrantes do Governo, como golpista e aproveitadora, dispensável e mesmo incompreensível para um país democrático, como a Argentina - afirmam os políticos.  

A presidente participou da cerimônia acompanhada de alguns de seus ministros, dentre os quais o secretário-geral, Aníbal Fernández, o chefe de gabinete, Jorge Capitanich, e o ministro da Economia, Axel Kicillof.  

O discurso da presidente foi transmitido em rede nacional, e operários, militantes e políticos, além de pessoas do povo em geral, participaram do evento, com bandeiras nas mãos e gritos de apoio ao governo Kirchner. 

"Esta usina foi forjada por mentes e mãos de obra exclusivamente argentinas" - disse a Presidente. Kirchner destacou que a construção e aumento da energia produzida pela usina colocam a Argentina em vantagem em relação à países vizinhos, como o Brasil. "O Brasil sofre neste momento com séria crise hidrelétrica. Não por incapacidade, mas por falta de investimento na independência em relação à matriz energética hidrelétrica" - afirmou Cristina Kirchner.   

A Usina Atucha II Néstor Kirchner produz 745 megawatts de energia, que vem a ser 2% da energia produzida em todo o país, e mesmo com a dependência da Argentina em importação de energia, a presidente comemorou o aumento de produção.    #Negócios

Segundo a presidente, a Argentina tem um consumo per capita de energia 4 vezes superior ao do Brasil, e no discurso, num momento "saia justa", disse que isso é devido ao fato dos argentinos terem muito mais aparelhos elétricos, e conforto residencial, que os vizinhos brasileiros.

China

A presidente Kirchner aproveitou para falar sobre os acordos da China com a Argentina, que enfrentam críticas dos sindicalistas e empresários do país, que - segundo a presidente - temem o avanço do comércio chinês, com mão de obra e produção próprios, o que poderia desestabilizar a economia. 
Cristina afirma que a Argentina está aberta à alianças estratégicas com países que possam oferecer investimentos, com boas propostas de financiamentos, mas - frisou - "nada será imposto aos argentinos".