Uma medida que poderia parecer impensável, levando-se em conta a atual conjuntura vivida pelos países que formam a União Européia, mas tornou-se realidade. O governo da Croácia decidiu perdoar as dívidas de cidadãos avaliados como mais pobres. Para tanto, foram efetuadas negociações conduzidas diretamente pelo governo croata. Foi estabelecido um programa com bancos, empresas de telefonia e municípios perdoando dívidas dos mais pobres.

Os beneficiados por este programa especial devem chegar a um número total de cerca de 60 mil pessoas. Elas serão beneficiadas por esta inovadora medida, chamada de "um novo começo". Na Croácia, atualmente 327 mil pessoas têm sua conta bancária bloqueada em função de dívidas.

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Os mais pobres passaram a ter sua situação bancária restabelecida nesta segunda-feira (9), totalmente livre de dívidas.

O inédito programa, institucionalizado pelo governo de centro-esquerda, visa dar condições de um efetivo recomeço. A parcela de milhares de cidadãos nesta condição de penúria estaria contribuindo para manter o cenário econômico do país estagnado.

A maioria dos países da União Europeia enfrentou grande recessão nestes últimos seis anos. Novas previsões apontam para uma pequena melhora no cenário econômico em 2015, gerando uma perspectiva mais animadora. A medida vai ajudar especialmente os pobres, que não possuem poupanças ou propriedades, além de alavancar a economia interna a um longo prazo.

O primeiro-ministro croata Zoran Milanovic afirmou estar orgulhoso por poder tornar realidade esta medida social.

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O perdão aos endividados surge no momento em que o cenário europeu passa por acentuada tensão entre o recém empossado governo e a comunidade europeia.

A oposição croata critica o plano de recomeço afirmando que ele surge pouco antes das eleições. Para esses opositores, é apenas um programa populista com finalidades eleitoreiras. Mas se a inovação cumprir com seus objetivos, certamente outras nações do velho continente poderão adotar medidas semelhantes.

Mesmo enfrentado forte contestação, a Croácia dá um passo importante. A Europa observa com curiosidade e, caso os resultados sejam promissores, é certo que outras populações pobres pelo continente serão também beneficiadas.