O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos - ICCJ, divulgou domingo, dia 8 de fevereiro, em seu site, que a gigantesca instituição financeira global HSBC lucrou realizando negócios com traficantes dos chamados diamantes de sangue provenientes de países africanos em guerra, com traficantes de armas que enviavam material bélico para crianças soldados, também na África, e com ditadores do terceiro mundo que buscavam contas secretas para esconder dinheiro roubado de seus países de origem, além de sonegadores de impostos e outros criminosos internacionais que abriram contas bancárias na filial suíça do HSBC.

Uma equipe de jornalistas investigativos de 45 países vinculados ao ICCJ obtive documentos sigilosos da instituição que vazaram a partir do HSBC Swiss, quando descobriram as contas secretas mantidas por criminosos naquela instituição, num montante que atinge a casa dos 100 bilhões de dólares em depósitos.

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Os documentos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, através do jornal francês Le Monde, mostram as relações do banco com clientes envolvidos em comportamentos ilegais, inclusive com a prática de sonegar das autoridades fiscais de seus respectivos países centenas de milhões de dólares para evitar o pagamento de tributos.

Também aparecem nestes arquivos secretos registros particulares de jogadores de tênis e de futebol, atores de Hollywood, estrelas de rock, políticos, membros da realeza de diversos países, executivos de grandes corporações multinacionais e integrantes de famílias bilionárias tradicionais, todos procurando sonegar impostos através do recurso de esconder do fisco seus rendimentos em contas secretas na Suíça.

Em sua página na internet o ICCJ revela que o vazamento dos arquivos sigilosos do HSBC auxiliam no esclarecimento da intersecção que existe entre o crime internacional e os negócios legítimos, levando uma luz também "sobre o comportamento potencialmente ilegal ou antiético manifesto em anos recentes por um dos maiores bancos do mundo".

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Os registros descobertos, segundo o ICCJ, mostram alguns clientes realizando viagens a Genebra para retirarem enormes quantias em dinheiro, além de documentarem grandes somas controladas por conhecidos traficantes de diamantes que operam em zonas de guerra e financiam revoltas que provocam um número incalculável de mortes na África.

Banco reconhece problemas

Com sede em Londres e filiais em 74 países, inicialmente o HSBC havia pedido que o ICCJ destruísse os dados descobertos. Após ser informada, há um mês, da extensão das investigações dos jornalistas, a direção do banco, em nota oficial, reconheceu simplesmente que "a cultura de 'compliance' (ato corporativo de estar em conformidade com as leis e regulamentos internos e externos) e os padrões de 'due diligence' (processo de investigação e auditoria de informações que devem preceder aos atos corporativos) na filial Suíça, bem como na indústria em geral, foram significativamente menores do que são hoje". E arrematou afirmando que posteriormente a instituição implementou reformas e se desfez de clientes que não cumpriam "os novos e rigorosos padrões do HSBC".

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