Um dos items aos quais damos mais atenção quando assinamos um contrato é quantos dias de férias temos por ano e como usá-las. Todo trabalhador sob regime de contrato tem direito à férias pagas e isso não é novidade para ninguém. No Japão, a estória é a mesma. Porém, a diferença é que a maioria não usa as férias que tem.

Os japoneses têm fama de trabalhadores no mundo todo. Porém, se você tiver contato com a sociedade japonesa, verá que a verdade não é que eles são muito trabalhadores, mas sim que a tradição e costumes falam mais alto do que a lei e aquilo que está no seu contrato.

Vamos entender melhor o que se passa no Japão: Independente do setor no qual a pessoa trabalhe, se no contrato está escrito que ela deve trabalhar 8 horas por dia, ela trabalhará 9, 10 ou até mais.

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Simplesmente porque sair cedo é mal visto no país. Sair antes do seu chefe, impensável! Por isso, mesmo que não tenham nada para fazer no escritório, eles acabam ficando ou arrumando algo para fazer apenas para não ter que ser o primeiro a deixar o local e receber dezenas de olhares de reprovação.

Desde pequenos, ainda nas escolas, os japoneses têm uma agenda bastante rígida e mesmo que o horário escolar seja até 15h ou 16h, é de bom tom que eles fiquem além do horário e exerçam outras atividades, sejam elas esportivas ou culturais. É parte da cultura e eles são adestrados desde cedo para que se adaptem e achem isto normal quando entrarem em uma empresa.

E aqueles que não fazem assim? Bom, no Japão, a mentalidade da maioria é que todos devem ser iguais e fazer as mesmas coisas. Portanto, aquele que fica fora do grupo logo será alvo do temido bullying, outro problema social seríssimo no país e que continua na vida adulta, quando entram em empresas.

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Na década de 90, os workaholic japoneses chamaram a atenção do mundo quando uma série de mortes por fatiga foi divulgada na mídia. Rapazes de 25 a 30 anos que simplesmente caíram no meio da rua e nunca mais voltaram a si. Este foi o preço que pagaram por trabalharem demais ou por não poder romper o ciclo existente na maioria dos escritórios japoneses.

O governo japonês sempre tentar cobrir estas notícias, não só o número de morte por fatiga, mas também o altíssimo número de suicídios e de pessoas com problemas psiquiátricos; isso fez com que o primeiro-ministro Abe começasse a considerar obrigatório para os trabalhadores tirar pelo menos 5 dias de férias pagas ao ano. Você pode achar pouco. Realmente é, mas para uma sociedade baseada no coletivo e em que para tirar um único dia de folga é preciso pedir desculpas a todo o setor e a outros colegas, esta medida parece vir para ajudar.

Segundo pesquisas, a maioria dos japoneses tira, no máximo, apenas metade de suas férias anuais.

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Outra pesquisa apontou que, a cada seis funcionários, um não tirou férias durante todo o ano. O dia de folgas obrigatórias por ano ainda não foi estabelecido. Alguns querem que seja limitado a três dias. Outros grupos trabalhistas querem pelo menos oito.

O futuro do Japão por si só já é incerto. O país tem sido alvo de críticas ferrenhas em relação às leis trabalhistas, já que outros países de primeiro mundo, como França e Dinamarca, oferecem um alto número de férias pagas e outros benefícios que encorajam os trabalhadores a consumir mais em atividades de lazer, movimentando, assim, a economia local. Será que o Japão vai deixar um pouco a tradição e considerar mais a saúde e bem-estar de sua nação?