Cento e seis mim contas abertas entre 1998 e 2008 da filial do grande conglomerado bancário mundial HSBC, na Suíça, estão sendo examinadas pelas autoridades locais, que decidiram hoje (18) revistar todos os escritórios da instituição financeira britânica no país, num processo judicial que apura acusações de lavagem de capital e evasão fiscal.

A investigação é conduzida pelo Ministério Público da Suíça desde que os procuradores Olivier Jornot e Ives Bertossa se voltaram para a denúncia relacionada a fraude fiscal e lavagem de dinheiro na agência do banco em Genebra, apresentada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, uma ONG que reúne a cooperação de jornalistas de 45 países a ela vinculados.

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Contas secretas da Petrobras

O volume de recursos das operações criminosas e clandestinas no banco envolve bilhões de dólares e, segundo revelaram os investigadores, entre as constas secretas que estão sendo alvo de avaliação foram descobertas inúmeras contas da #Petrobras, que a partir de agora serão esmiuçadas pela justiça do país.

No escândalo, que ficou conhecido como Swissleaks, bilhões de dólares pertencentes a clientes que queriam escapar ao pagamento de impostos, ou a empresas de fachada que precisavam lavar dinheiro, teriam passado pela filial suíça do HSBC de modo sigiloso, sob orientação dos próprios funcionários do banco, que auxiliavam a clientela nas operações fraudulentas de acobertamento de renda e legalização de capital de origem criminosa.

Os dados sigilosos que resultaram nas denúncias que estão sendo alvo das investigações do Ministério Público haviam sido roubados da agência do HSBC por um ex-funcionário do banco, Hervé Falciani, que os teria repassado às autoridades francesas e ao jornal Le Monde.

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Por sua vez, o jornal francês passou o material adiante para o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que investigou os dados e recentemente revelou as informações em seu site.

Em resposta às decisões judiciais da Procuradoria de Genebra, o chefe do HSBC na Suíça, Franco Morra, informou que tomará a providência de cancelar todas as contas que não estiverem atendendo as "altas exigências da instituição".

Lavando dinheiro de drogas

As investigações do ICIJ, ao se aprofundarem nos dados descobertos, revelaram que desde 2012 uma subcomissão de investigação permanente no Senado dos Estados Unidos havia constatado que a falta de controle, e até a complacência do banco em relação à contas secretas abertas por seus clientes na instituição, permitiram que cartéis latino-americanos de drogas pudessem lavar centenas de milhões de dólares obtidos por meio de operações criminosas nos EUA.

Extenso relatório sobre o tema elaborado pela comissão de investigação do senado americano, exposto pelo ICIJ, relacionou também aquela filial do HSBC a operações ilegais com o Irã e, inclusive, à suspeita de abrigar fundos que auxiliaram a Al Qaeda e outros grupos tidos por terroristas. #Corrupção