Os rebeldes separatistas e o exército da Ucrânia disparam um contra o outro acusações de descumprimento no acordo de cessar-fogo, iniciado oficialmente no domingo (15). O exército afirma que enquanto os rebeldes separatistas não retirarem seus grupos das áreas em conflito, não poderão retirar suas tropas da linha de frente, numa atitude de defesa.

Simultaneamente, a União Europeia (grupo econômico e político de 28 Estados-membros independentes, situados principalmente na Europa) publicou uma lista com nomes de pessoas e entidades que obtiveram sanções devido ao seu envolvimento no conflito ucraniano. Entre os nomes, estão os de dois vices primeiros-ministros da Defesa da Rússia. Enquanto isso, Moscou promete uma resposta à altura, denunciando o que qualificou de "sanções sem lógica e desprovidas de coerência".

Desde a noite de sábado, pelo menos cinco soldados ucranianos morreram em Mariupol, parte sul da linha de frente, o que deixa explícita a fragilidade do recente acordo. Diversos combates ocorrem em vários pontos da linha de frente, e o porta-voz militar ucraniano anunciou à AFP (Agence France-Presse) a provável reavaliação da retirada das armas pesadas, prevista no acordo de paz na Minsk 2, firmado entre ucranianos e rebeldes separatistas na semana passada.

"Não retiraremos as armas pesadas pesadas enquanto os rebeldes separatistas estiverem atirando contra nós e nos atacando com tanques", declarou o porta-voz Vladislav Seleznev, representante do estado-maior do Exército ucraniano. A retirada das armas pesadas pode ser iniciada, de fato, na quarta0feira (18), no que concordam Exército e rebeldes.

Os rebeldes separatistas afirmam que o aeroporto de Donetsk foi bombardeado pelo exército ucraniano na segunda (16). Edouard Bassourine, militar separatista, declarou que enquanto o exército ucraniano não deixar de atirar e bombardear os rebeldes, não haverá retirada alguma das armas pesadas.

Ou seja, a Ucrânia vive um momento tenso neste início de cessar-fogo, que, na prática, até agora não aconteceu. E vive também com esperança da retirada das armas pesadas de ambas as partes (exército e rebeldes), e da linha extremamente tênue, que separa a guerra declarada da paz esperada - e não vivida - pelos civis. #Crise