A revista Times conversou com Foday Galla, supervisor de uma ambulância atuante na África, que ano passado contraiu o vírus do #Ebola através de um paciente socorrido na Libéria. Mesmo tendo passado pela doença que foi capaz de assustar o mundo inteiro, F. Galla após quatro meses de recuperação volta à ativa com seu trabalho na ambulância, e descreve que o cenário mesmo após a contenção da doença está longe de ser  um dos melhores.

Em setembro de 2014 o  Centro de Controle de Doenças (CDC) alertou todos os países do mundo sobre a quantidade de pessoas infectadas com o ebola, que poderiam chegar ao número de 1.4 milhões de habitantes na Libéria e Serra da Leoa se as devidas precauções não fossem tomadas e se não fossem envidas ajudas ao continente africano.

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Depois de causar o temor em todos os continentes, as três cidades do oeste africano ainda permanecem devastadas: Guiné, Serra da Leoa e Libéria.

Depois de ter se recuperado da doença F. Galla pode voltar ao trabalho na ambulância, contudo, outros sobreviventes não conseguem encontrar emprego e foram expulsos de seus lares por não terem pago as contas em dia, ou ainda são desprezados pelas pessoas pois o medo do ebola ainda é vivo na Libéria. O pior quadro entretanto, são com os "órfãos do ebola", como  são chamadas as crianças que perderam seus pais ou os adultos por elas responsáveis, em decorrência da doença. O cenário é precário quando se sabe que no país 84% da população sobrevive com menos de dois dólares por dia, com uma criança a mais para sustentar é uma realidade que não pode ser encarada pelas famílias que sobraram.

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Apesar da intervenção social do governo com assistência social e orfanatos, o contingente de órfãos é maior que a quantidade de vagas das políticas públicas. O resultado é que estes orfanatos ajudam apenas as crianças que não possuem mais nenhum membro da família vivo. Outras ainda conseguem sobreviver junto a tios, primos e outros parentes que mal conseguem sustentar a si mesmo, e muitos sobrevivem por conta própria.

Segundo Galla, talvez o pior lado da história para essas pessoas não é ter tido o ebola, mas sim sobrevivido a doença.