Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira (17) para definir quem será o seu próximo primeiro-ministro, em eleições legislativas antecipadas que determinarão a nova composição do Parlamento.

As últimas pesquisas apontam uma disputa acirrada entre o atual governante, Benjamin Netanyahu, e Isaac Herzog, da União Sionista. Entre os principais temas de campanha, estão a segurança e a postura de Israel em relação ao Irã e à comunidade internacional.

Para falar sobre esses e outros assuntos, Yoel Barnea, cônsul-geral de #Israel em São Paulo, falou com exclusividade com a Blasting News. Confira:

Blasting News - As eleições estão sendo vistas, em grande medida, como um referendo a favor ou contra Benjamin Netanyahu. Que análise o senhor faz a esse respeito?

Yoel Barnea - Como em todo país democrático, temos periodicamente eleições.

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Ali os eleitores julgam o governo atual. Nestas eleições, temos diversos pontos de vista sobre segurança e o conflito na região. De alguma maneira, é um referendo para julgar o governo atual, mas isso é como em qualquer outro lugar.

BN - Qual é a sua expectativa em relação ao resultado?

Yoel Barnea - Está muito apertado, vamos ter uma visão melhor da situação quando saírem as primeiras estimativas. Mesmo assim, em Israel não vamos obter uma maioria absoluta, isso parece impossível. Depende muito da capacidade dos partidos de realizar coalizões. Somente a partir dos resultados, os partidos poderão ver a possibilidade de fazer uma coalizão para chegar a uma maioria no Parlamento.

BN - As pesquisas indicam que a União Sionista conseguiria mais cadeiras, mas Netanyahu é visto como o candidato com mais capacidade de realizar coalizões. O senhor concorda com essa análise?

Yoel Barnea - Isso vem sendo dito nas últimas semanas, mas depende muito dos resultados.

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Alguns partidos estão em lados opostos, mas outros poderiam ser parte tanto da coalizão de Netanyahu como da de Herzog. Esses são o ponto de interrogação. A luta é pelos partidos de centro.

BN - Ganhando Isaac Herzog, o que mudaria para Israel?

Yoel Barnea - Alguns princípios não mudam, porque a grande maioria da população e dos partidos os considera invioláveis. Nós queremos a paz, a segurança e viver em uma região de compreensão entre os povos. A pergunta é como se chega a isso. Os caminhos são diferentes. Levando em conta os eventos no Oriente Médio dos últimos anos, o partido de Netanyahu vê dificuldade em fazer concessões. Já o partido de Herzog tem uma visão mais aberta. Os caminhos são sem dúvida diferentes, mas os objetivos são os mesmos.

BN - Netanyahu afirmou que, se eleito, não haveria Estado Palestino. O que mudou desde o discurso de 2009, com a ideia de dois Estados vivendo lado a lado?

Yoel Barnea - Temos que ver as declarações sob dois aspectos: o primeiro é que estamos em uma campanha eleitoral, em que você expõe diferentes pontos de vista.

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Não coloco em dúvida as palavras do primeiro-ministro, mas temos que analisá-las sob a ótica de um governo. Além disso, o que o ele diz que mudou tem a ver com o extremismo crescente. Existe uma corrente clara do ponto de vista numérico, que não pode ser ignorada. Temos o Estado Islâmico, a situação com o Irã... Existe um fundamentalismo que está se espalhando. Sobre a visão de dois povos, que o primeiro-ministro preconizou em 2009, estamos dispostos a constituir um Estado Palestino ao lado de Israel, mas que não seja uma fonte de futuras agressões. Hoje em dia, essa condição não é tão clara.

BN - O que o próximo governo pode fazer de diferente sobre a questão nuclear do Irã e a relação de Israel com a comunidade internacional sobre esse assunto?

Yoel Barnea - Netanyahu esteve recentemente no Congresso dos Estados Unidos e manifestou o ponto de vista de Israel. Segundo a visão israelense, esse acordo que está sendo negociado (com o Irã) permite ao país não ter um limite para ser um Estado com tecnologia nuclear. Israel está consciente do perigo, e tomou nos últimos anos as medidas para enfrentá-lo. Achamos que o acordo, fiscalizado pela comunidade internacional, tem que distanciar o Irã da capacidade de produzir armas nucleares.

BN - Após a polêmica sobre esse discurso de Netanyahu em Washington, há uma expectativa sobre o futuro das relações entre EUA e Israel. Como o próximo primeiro-ministro deve conduzir a questão? #entrevista

Yoel Barnea - Sem dúvida, os Estados Unidos são o nosso aliado mais importante. Estamos ligados por valores comuns. É um relacionamento que independe de partidos políticos. Nesse nível, as relações continuam fortes. Se falarmos de governos, logicamente há diferentes pontos de vista. Temos um receio sobre a nossa existência. Queremos que nosso futuro possa estar em nossas mãos. Não podemos nos fundamentar sobre a intervenção internacional, no caso de um ataque do Irã, por exemplo. Netanyahu chegou à conclusão de que era importante se manifestar no Congresso sobre o acordo. Claro que o governo norte-americano também não viu o episódio com bons olhos, porque na visão deles, pode ter existido alguma espécie de intromissão. Mas em outras ocasiões Netanyahu já se havia dirigido ao Congresso, assim como Obama se dirigiu ao nosso Parlamento quando visitou Israel.