Quando parece que todos conhecem os limites das maldades humanas, casos absurdos vem à tona para chocar a sociedade. Esse é o caso admitido na última terça-feira (3), pelo primeiro ministro da Inglaterra, David Cameron. Uma gangue escravizou, torturou e abusou de dezenas de meninas brancas menores de idade por quinze anos, sem que a polícia fizesse nada para impedir.

As meninas, a maioria delas com menos de 11 anos e outras de até 13 anos, eram capturadas, escravizadas e obrigadas a se prostituir. Como quase cem por cento das vítimas nunca havia tido relações, eram os sequestrados que as iniciavam antes de terem o primeiro “cliente”.

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A gangue foi desmantelada pela polícia inglesa e os criminosos são cinco paquistaneses e dois africanos. No total, cerca de 363 meninas foram vítimas da gangue em que seus membros praticavam abuso e também atuavam como cafetões.

A maior parte dos crimes ocorreram na região de Oxfordshire. Algumas meninas, bem como seus parentes, chegaram a pedir ajuda policial, mas foram negligenciados. No documento oficial que incrimina o grupo existem relatos de meninas que buscaram ajuda de autoridades policiais e que foram acusadas de terem feito má escolhas na vida, sendo a situação um tipo de consequência ou sentença.

As meninas do condado eram abordadas com presentes, momento em que eram capturadas e obrigadas a ingerir álcool e drogas, como cocaína e crack. Muitas tornaram-se dependentes das drogas e eram constantemente abusadas por esses e outros homens.

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Muitas meninas foram vendidas para outras cidades do país, servindo, sobretudo, para turistas sexuais. As meninas sequestradas eram todas brancas, o que fez a polícia de Oxfordshire concluir que a motivação dos crimes foi o ódio racial. O valor cobrado para que os abusadores vendessem as meninas para homens de outra cidade era cerca de R$446 por determinado período de relação sexual.

As meninas eram torturadas com tacos de beisebol, cutelos, eram mordidas, arranhadas, sufocadas, tinham a pele marcada e os abusadores urinavam sobre elas. Seis meninas abusadas foram dadas como desaparecidas quinhentas vezes no período de cinco anos, sem que as autoridades policiais tomassem qualquer providência a respeito. O pai de uma das vítimas contou em seu depoimento que os abusadores o ameaçaram de morte, bem como disseram que iriam decapitar o bebê de sua filha.

Um dos presos, Zeeshan Ahmed, já havia sido condenado a sete anos de prisão por duas acusações de abuso sexual contra crianças, ainda assim, muitas queixas das meninas, bem como de seus parentes à polícia foram desacreditadas.

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Akhtar Dogar e seu irmão Anjum Dogar foram condenados à prisão perpétua. Ambos deverão ficar presos, por no mínimo, dezessete anos antes de pedirem uma revisão da pena.

Kamar Jamil, Bassam Karrar e Mohammed Karrar foram condenados à prisão perpétua, Assad Hussain recebeu uma pena leve de sete anos de prisão.

O grupo transportava as meninas de uma cidade à outra para abusar das mesmas. Após o #Crime que chocou o país, a Inglaterra pretende mudar a legislação em vigor, a fim de conferir penas mais rígidas e preparar melhor as autoridades policiais quanto aos possíveis abusos contra menores de dezesseis anos.

Infelizmente, essa não é a primeira vez que um caso desse tipo acontece. Menores já passaram por situações semelhantes em Roterdã e Rochdale. A chefe de polícia local pediu desculpas pela negligência das autoridades que atenderam as vítimas, evitando que uma solução fosse conferida mais cedo. #Justiça