Extremistas islâmicos atacaram, pouco depois das orações do meio-dia (hora local) de sexta-feira (6), o sítio arqueológico da antiga cidade assíria de Kalhu (atual Nimrod), no norte do Iraque. Segundo fontes iraquianas, a investida dos militantes do #Estado Islâmico utilizou tanques militares e armamento pesado. Nimrod está localizada a trinta quilômetros ao sul de Mossul, segunda maior cidade do país, tomada pelas forças jihadistas em junho de 2014.

Nimrod, a antiga Kalhu dos assírios, foi fundada às margens do rio Tigre no século XIII. Uma das principais cidades do antigo Império Assírio, ela guarda valiosas relíquias artísticas e artefatos de inestimável valor arqueológico e histórico.

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Império Assírio dominou a Mesopotâmia na Antiguidade

Cerca 1700 a.C., os assírios estabeleceram-se próximo ao curso médio do rio Tigre, no norte da Mesopotâmia (região localizada entre os rios Tigre e Eufrates), atual Iraque. Dedicavam-se à agricultura, no vale, e à caça e à criação de gado, nas montanhas, e já possuíam instrumentos de ferro.

A partir do século VIII a.C., os reis assírios empreenderam um movimento de expansão territorial, conquistando vastas regiões do Oriente Próximo (Síria, Palestina, Egito), e suas fronteiras chegaram a atingir, no século VII a.C., desde o mar Mediterrâneo, a oeste, até o rio Tigre, a leste, e da Ásia Menor, ao norte, até o Golfo Pérsico, ao sul. Governando um Estado militarizado, cujo poder repousava numa economia de guerra - cobravam pesados tributos dos territórios conquistados -, os soberanos assírios intitulavam-se Reis das Quatro Regiões do Mundo.

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Em 612 a.C., uma aliança entre os soberanos dos reinos da Média (localizado no planalto iraniano) e da Babilônia (situado na Mesopotâmia) destronou o último imperador assírio. Muito mais tarde, já no século VII d.C., os árabes tomaram a região e expandiram a religião do Islã.

Destruição de ídolos

Uma das possíveis motivações para a ação destruidora dos sítios arqueológicos assírios por parte dos militantes do Estado Islâmico estaria no fanatismo religioso de seus membros. Ao impor pela força das armas a fé islâmica, monoteísta, seu alvo seria as estátuas e demais representações dos deuses assírios, sinal do politeísmo religioso daquele povo.

A monumental estatuária assíria mostrava figuras mistas, com corpo de animal e cabeça humana. Seus baixos-relevos revelam cenas de caçadas ou de batalhas. Milhares de camponeses e escravos foram empregados para a construção de seus palácios e templos, cujas ruínas conservam-se até hoje. Ou até quando permitir a fúria iconoclasta dos jihadistas. #Terrorismo