Os efeitos do sectarismo sobre os fundamentos da construção de um estado nacional se refletem no atual conflito no Yemen, onde uma guerra civil ameaça levar toda uma região a uma conflagração maior. Esse caldeirão de conflitos soma-se a mais uma crise no sistema internacional, onde interesses diversos envolvem rebeldes xiitas "Houthi", o Irã, a Arábia Saudita, a Al Quaeda, o #Estado Islâmico e outros estados árabes, além das potências mundiais.

O Governo oficial, retirado à força pelos rebeldes xiitas Houthi, refugiou-se para o sul do país, em Aden, para onde os rebeldes marcham diariamente. A cidade é base do presidente deposto Mansou Hadi, que reiteradamente pede pela intervenção militar do Conselho de Cooperação do Golfo e da ONU.

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O ódio sectário, aliado à fé, à geopolítica, ao neocolonialismo e ao artificialismo do país que era um antigo protetorado britânico, desemboca em uma guerra civil com variados atores supracitados e interesses divergentes: os Houthis são xiitas, os quais possuem como inimigos não somente o governo oficial deposto, mas também tribos sunitas, jihadistas da Al Quaeda da Península Arábica e o Estado Islâmico, que veem os xiitas como apóstatas.

Enquanto o Estado Islâmico reivindicou sua estreia no país com quatro ataques suicidas coordenados a mesquitas xiitas, os Houthis (que provem do norte) não possuem legitimidade popular, mas se mostraram combatentes experientes, conquistando a capital Saana em setembro. Esses rebeldes possuem ainda o apoio do antigo presidente Ali Abdullah Saleh, determinado em transformar o mandato de seu sucessor em um completo caos.

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Aliada a toda essa complexidade, potências regionais interferem diretamente no desenrolar dos conflitos, claramente procurando ampliar suas áreas de influência e defender seus próprios interesses. O Irã (xiita) tem apoiado os xiitas Houthis, enquanto isso a Arábia Saudita (sunita), o maior aliado dos EUA na região, apoia o governo oficial, conduzindo ataques aéreos desde 2010 na sua fronteira com os Houthis.

Além disso, a Arábia Saudita está em processo de construção de uma grande cerca na fronteira, mobilizando ainda corpos motorizados e tanques de guerra para um possível conflito. Dessa forma, o maior perigo da escalada do conflito civil reside na ampliação do confronto envolvendo outros estados árabes, grupos terroristas e potências mundiais, trazendo mais instabilidade e sofrimento ao oriente médio.

#Terrorismo