Abubakar Shekau, líder do grupo islâmico Boko Haram, na Nigéria, tornou pública sua lealdade ao grupo #Estado Islâmico (EI) através de uma mensagem de áudio, divulgada no Twitter do grupo. No áudio, pode-se ouvir a mensagem: "Anuncio minha lealdade ao califa (chefe supremo do islamismo) dos muçulmanos, Ibrahim". A mensagem, cujo áudio não pôde ser identificado de forma independente, é uma referência ao líder do EI, Abu Bakr Al Bagdadi, e acredita-se que a voz no áudio seja do próprio Shekau.


O objetivo da divulgação da mensagem nas redes sociais seria a confirmação dos rumores de que o Boko Haram estaria fortalecendo suas relações com organizações dentro e fora da Nigéria. Isso é algo que o grupo claramente pretende desde a sua fundação, mas que nunca foi visto com muita credibilidade pelos analistas em políticas sociais.


Neste sábado (7), o Boko Haram cometeu três atentados, matando 58 pessoas. Os atentados terroristas foram contra dois mercados, que se encontravam cheios no momento do ataque, e contra uma estação de ônibus, em Maidaguri, cidade que é a capital do estado de Borno e que vem sofrendo de forma excessiva os ataques do grupo fundamentalista.

Origem do Boko Haram na Nigéria

A Nigéria é um país pobre e vem, ao longo da História, sofrendo com conflitos étnicos, religiosos, políticos e sociais. Entender a real causa dos conflitos que surgem, não só na Nigéria, mas em todo o continente africano, pode ser a única forma de solucioná-los.


A Nigéria pode ser considerada um Estado dividido, com um quadro social complexo, num cenário caótico, onde diversos grupos lutam pelo poder político e econômico, na grande maioria das vezes, de forma violenta.


As divisões ocorridas na Nigéria vêm de antes da época da colonização, com grupos alternando-se no poder, através da força de suas tribos, que, oprimidas após anos de colonização, viram na época da independência a chance de construir um Estado único e manter o poder. No entanto, o pós-independência no território nigeriano aumentou a animosidade entre as tribos, quando a expectativa era de que os laços entre elas se fortalecessem.


Dessa forma podemos delinear o surgimento do Boko Haram na Nigéria, ex-colônia inglesa que sofreu inúmeras divisões internas e golpes de estado com instauração de um regime autoritário. A Nigéria possui três etnias divididas, e quanto à religião, a maioria é muçulmana. Então, entre divisões internas, entra em cena o Boko Haram, aproveitando-se da falta de centralização do governo nigeriano, guerras civis, divergências políticas e religiosas na Nigéria.


Grupos muçulmanos do norte nigeriano, marginalizados, foram convocados pelo Boko Haram para tornarem-se aliados, com a promessa de tornar a Nigéria uma república islâmica. Sabe-se que, embora a "bandeira" do Islamismo seja usada pelo grupo, pouco ou nada tem a ver com religião, e sim com busca pelo poder, através do #Terrorismo.


Desde então, o grupo Boko Haram vem espalhando terror e violência crescentes na Nigéria, país que, sem êxito, tenta combater o avanço do terrorismo em seu já devastado território.