A cidade de Cabul, no Afeganistão, foi palco do assassinato de uma mulher na última quinta-feira, 19. Farkhonda, 32 anos, foi morta por supostamente ter queimado o Alcorão. A morte aconteceu através de pedradas e pauladas. Após as agressões, o corpo foi incendiado pelo grupo de pessoas em que a maioria eram homens.

Segundo o chefe de departamento de crimes da capital, Farid Afzali, Farkhonda possuía transtornos mentais e numa rua movimentada perto da mesquita Shah-Du-Shamshaira pessoas teriam a visto colocando fogo no livro sagrado, motivando o ataque das pessoas que a culparam por blasfêmia e profanação. Segundo relatos de pessoas presentes no episódio, havia policiais perto da vítima, mas eles não impediram o linchamento.

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Apesar de ter sido acusada de queimar o Alcorão, um funcionário do Ministério do Interior encarregado do caso, declarou não ter encontrado nenhuma prova e nem se quer evidências de que alguém queimou algum livro. Em declaração à imprensa local, o general Mohammad Zahir disse: "Farkhunda era completamente inocente". Declarou ainda estarem 13 pessoas presas, inclusive policiais.

O irmão de Farkhunda disse à agencia de notícias Reuters que ela estava no caminho de se tornar uma professora de estudos religiosos. Apesar dos ataques as mulheres serem frequentes na região, a maioria não são punidos.

O enterro de Farkhunda aconteceu domingo passado, 22, e apesar de na tradição local o caixão ser levado por homens, as mulheres ativistas dos direitos das mulheres e direitos civis carregaram o caixão e também gritaram: "queremos justiça para Farkhunda".

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Outras centenas de pessoas estiveram presentes no funeral exigindo justiça. O presidente afegão Ashraf Ghani declarou ter ordenado investigação sobre o episódio. As imagens fortes da #Violência foram filmadas por celulares e podem ser encontradas na internet.

Outro caso de queima do Alcorão já havia levantado uma onda de violência em 2012, quando a suposta queima do livro teria acontecido na prisão de Bagram, perto de Cabul, resultando em 30 pessoas mortas. #Religião