O pico de poluição que atinge o ar de Paris, capital da França, a deixou com uma espessa nuvem de fumaça tóxica nos últimos dias, obrigando autoridades francesas a cortarem pela metade o trânsito local. A poluição da terceira semana de março foi tão intensa que a famosa Torre Eiffel quase desapareceu dentro da névoa.

De acordo com a agência francesa de monitoramento da qualidade do ar, o fenômeno ocorreu devido ao padrão climático da estação, uma área de alta pressão do ar persistente e os poluentes emitidos pela indústria e veículos.

O rodízio já começa nesta semana. A medida de emergência permitirá que os carros com placas terminadas em números ímpares trafeguem nos dias ímpares, enquanto os carros com placas terminadas em números pares devem trafegar em dias pares.

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De acordo com o jornal francês Le Monde, as restrições, entretanto, não se aplicam a táxis, carros elétricos ou híbridos e que transportem mais de três pessoas.

Não é a primeira vez que Paris adota esse tipo de medida para tentar reduzir os níveis de poluição, que chegaram a alarmantes 180 microgramas de PM10 (partículas emitidas por veículos e indústria) por metro cúbico, mais do que o dobro do limite aceitável, que é de 80 microgramas. Entre essas partículas estão algumas com diâmetro menor do que 2,5 microns, que podem penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, podendo até causar câncer.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, publicou na quinta-feira (19) uma mensagem em seu Twitter afirmando que a saúde dos parisienses não pode ser negociada. "Eu mantenho o meu pedido de estabelecimento de tráfico alternado", afirmou, em tradução livre, em resposta à resistência do Ministro da Ecologia, Ségolène Royal em adotar as drásticas medidas.

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O rodízio já foi estabelecido anteriormente, em 1997, pelos mesmos motivos.

Na semana passada, outras medidas já foram tomadas para desencorajar o uso de veículos, como a redução do limite de velocidade para 20 km/h na cidade e a gratuidade temporária de todos os transportes públicos.