Segundo 21 organizações que defendem os direitos humanos, a comunidade internacional é culpada por não conseguir administrar os confrontos que acontecem na Síria. O documento classificou a guerra no país como um "desastre humanitário", além de ter chamado este de o ano mais "sombrio", que os cidadãos sírios viveram.  

O relatório ganhou o nome de "Derrota culpada na Síria". A primeira observação que o levantamento faz é que os países não conseguiram pôr em prática as soluções do Conselho Nacional de Segurança das Nações Unidas, que têm como objetivo proteger os civis. O confronto perdura há aproximadamente quatro anos.

Um ponto bastante criticado no relatório são as resoluções aprovadas pela ONU no ano passado. O documento comenta que as soluções se tornaram atos sem sentido para os cidadãos sírios, principalmente porque foram ignoradas pelas partes que participaram do combate, assim como os países membros da ONU e pelos membros do Conselho de Segurança.

O levantamento mostra que no ano passado, os confrontos fizeram ao menos 76 mil vítimas. Se somadas ao restante das mortes, a guerra na Síria matou aproximadamente 210 mil pessoas. De acordo com secretário-geral do Conselho de Segurança Norueguês, Jan Egeland, os "ideais" foram traídos, ainda mais quando o mundo vai continuar a assistir pessoas sofrerem em 2015.

Outro ponto que o relatório destaca é que tanto as forças sírias, quanto os rebeldes, atacaram instituições públicas, como escolas e hospitais. Além disso, as partes são acusadas de não deixar a ajuda humanitária chegar até o país.

O relatório também acusa os rebeldes sírios de praticar estupros como arma de guerra e sequestrar mulheres e crianças para trocar por prisioneiros. O documento mostra que muitas crianças não estão recebendo educação, ou pelas escolas destruídas ou porque os próprios pais tem medo de levarem os filhos até a escola.

Uma das partes mais críticas do relatório mostra que 7,8 milhões de sírios vivem em áreas de difícil acesso. O que acaba dificultando o trabalho de assistência. O levantamento também traz o dado de que apenas 57% dos fundos necessários para os sírios foram entregues no ano passado. Por fim, o relatório indica que a ONU vai precisar de 8,4 bilhões de dólares para poder atuar com consistência no ano que vem.