No dia 14 de abril de 2014, militantes da organização Boko Haram raptaram, na aldeia de Chibok, localizada no nordeste da Nigéria, 270 alunas, causando indignação dos nigerianos e do mundo todo. Hoje, após um ano do sequestro, grande parte das meninas permanece em cativeiro. A Anistia Internacional aproveitou o primeiro aniversário do acontecimento de Chibok para alertar o mundo sobre a grande quantidade de mulheres e meninas sequestradas pelo grupo islâmico desde o ano passado.

De acordo com a entidade, pelo menos 2 mil mulheres foram raptadas pelos militantes, para se tornarem escravas sexuais ou combatentes da milícia.

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A ONG colheu relatos de cerca de 200 pessoas, que teriam conseguido escapar do cativeiro imposto pelo Boko Haram. Entre elas, estava Aisha, de 19 anos, que foi sequestrada em setembro, juntamente com sua irmã, durante um casamento de um amigo. Na ocasião, a noiva e a irmã da noiva também foram raptadas.

Aisha relatou que, durante o tempo em que foi mantida em cativeiro, foi estuprada por diversas vezes, recebeu treinamento militar e foi forçada a atacar sua aldeia juntamente com o grupo. O Boko Haram matou sua irmã e cerca de 50 pessoas diante dos seus olhos. Os motivos das mortes seriam a recusa, por parte das vítimas, de se converterem ao islamismo ou de matar outras pessoas.

O recrutamento forçado pelos militantes aumentou quando o grupo começou a perder apoio popular. A campanha dos combatentes radicais pela criação de um Estado islâmico no norte da Nigéria, começou, aos poucos, a ganhar um viés cada vez mais violento, desde a morte de Mohammed Yusuf, líder e criador do grupo.

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Ele faleceu em 2009.

Em dezembro do ano passado, quando os militantes do Boko Haram tomaram a cidade de Madagali, próxima à fronteira com Camarões, cerca de 100 homens foram mortos, de acordo com relatos de dois jovens sobreviventes. Eles afirmam que foram poupados somente porque as facas dos combatentes já não estavam tão afiadas para cortar gargantas. Milhares de pessoas foram mortas pelo grupo.

Um garoto de 15 anos contou à Anistia como os militantes obrigavam crianças a apedrejarem pessoas acusadas de adultério, levando-as à morte. Daniel Eyre, autor do relatório, afirmou que o grupo radical cometeu execuções chocantes, recrutou crianças para combate, violentou sexualmente diversas mulheres, entre outros crimes que se configuram como crimes de guerra e contra a humanidade e devem ser investigados pelo governo nigeriano. #Terrorismo #Religião