A Turquia preferiria o silêncio neste dia, mas isto não irá acontecer. Diversas nações tratam o massacre acontecido na Armênia como um genocídio. O fato é considerado por autoridades turcas como um desafio. Será que seus dirigentes leram 1984 e querem adotar a novilíngua que modifica nomes e fatos?

Enquanto isto, o povo norte-americano não poderá homenagear as vítimas com o epíteto genocídio. Seu presidente, para evitar atritos diplomáticos com a Turquia, nega chamar o que aconteceu de genocídio, contrariando orientação do Departamento de Estado. Quantas pessoas além das 1,5 milhões de vítimas são necessárias para que a grande potência chame o acontecimento pelo seu nome verdadeiro? Será que Obama lembra dos tempos do senado, quando ainda era candidato e defendeu arduamente que o acontecimento fosse nomeado como agora se nega a fazer.

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Sorte dos políticos que o povo tem a memória curta. Mas alguns cidadãos americanos de origem armênia que nele votaram devido este fato não conseguem esquecer e alguns chegam no dia de hoje aos meios de comunicação com reclamações.

A parceria da Turquia contra os terroristas do EI (Estado Islâmico) justifica tal negativa? Teria ele ouvido durante a semana sobre as reações dos turcos contra a fala do papa Francisco sobre o genocídio armênio? A reação desmedida dos turcos está sendo colocada como justificativa para o pragmatismo do presidente americano e o fato não é aceito pelos seus correligionários e pela população americana de forma geral.

Ao pontuar a atuação do papa como "uma frente diabólica", os arautos de Ancara protestam contra o que consideram uma frente para desmoralizar a Turquia.

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O presidente Recep Tayyip Erdogan não somente está exagerando, mas quem sabe ensejando mais algumas ações terroristas ao colocar ameaças claras contra o sumo-pontífice.

Alguns dignitários de outras potências (leia-se Alemanha e França) consideram que estas discussões podem prejudicar a melhoria das relações entre armênios e turcos. Não seria o caso de dizer: deixem os armênios chorar seus mortos e sugiram à Turquia uma mensagem de perdão, aí quem sabe fique mais facilitado um esquecimento mútuo. A negativa da Turquia não tem sentido e por mais que tente, ela não conseguirá mudar a história. #Europa