Com a rapidez da internet e a conexão entre as mais diversas redes sociais, a divulgação de informações ocorre cada vez de maneira mais espontânea. Em meio a tanto conteúdo, muitas vezes há o questionamento sobre a veracidade do que é transmitido, ainda mais quando se fala de notícias que chocam e chamam muito a atenção. Foi o que aconteceu na última semana no caso da foto da "menina síria".

A imagem começou a repercutir no mundo inteiro, após a fotojornalista Nadia Abu Shaban a postar em seu Twitter. A foto revelava um dos fatos mais tristes que podem acontecer a qualquer ser humano: a perda da inocência infantil pela triste realidade à qual está inserida.

Publicidade
Publicidade

Na imagem uma menina, ainda muito pequena, aparece com as mãos levantadas em sinal de rendição. O que estava apontado para ela, não era nada mais do que a lente de um fotógrafo, mas devido ao seu cotidiano de extrema violência a garotinha confundiu a máquina fotográfica com uma arma - nada poderia resumir de maneira mais triste os efeitos de uma guerra.

Após ser compartilhada no Twitter, e replicada milhares de vezes, dúvidas sobre a autenticidade da fotografia começaram a surgir, e muitos internautas questionavam se a foto teria sido de fato tirada de maneira espontânea, pois a jornalista que a postou não se declarou como autora da imagem, e não sabia precisar sobre sua origem. A rede britânica BBC foi atrás dos fatos e conseguiu desvendar o enigma. A imagem foi tirada pelo fotojornalista turco Osman Sagirli, quando este trabalhava para o jornal Turkiye.

Publicidade

Sagirli contou que a foto foi tirada no último mês de dezembro no campo de refugiados Atmeh. A imagem foi divulgada pela primeira vez em janeiro desse ano, mas somente agora se tornou conhecida mundialmente. A menina se chama Hudea e estava no local com a mãe e dois irmãos.

Infelizmente Hudea é apenas mais uma das milhares de crianças vítimas da cruel guerra civil na Síria que já dura 4 anos. Segundo o relatório Failing Syria feito por uma coalização global de agências de ajuda, atualmente cerca de 5,6 milhões de meninos e meninas sírias vivem em situação de risco humanitário. Cerca de 60% da população do país vive na pobreza e milhares tiverem que migrar para outras partes do mundo para tentar escapar dos horrores da guerra.

Na América Latina, o Brasil é o país que mais recebeu refugiados sírios. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os refugiados), órgão vinculado ao Ministério da Justiça brasileiro, 1,7 mil sírios se abrigam hoje no Brasil em busca de proteção e de um futuro melhor. #Comunicação