Há três anos, a Líbia está mergulhada em uma sangrenta guerra civil. Desde 2011, quando um levante popular apoiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) derrubou o ditador Muamar Khadafi, que governou por 42 anos, o país possui dois governos e cerca de 1.700 milícias. Para agravar a situação, o grupo denominado #Estado Islâmico (EI), que já controla grandes áreas da Síria e do Iraque, avança a cada dia, espalhando o terror.

Para o povo líbio, a melhor saída é deixar o país, ainda que isto signifique deixar para trás o pouco que ainda lhe resta. São homens, mulheres e crianças, muitas desacompanhadas, que viajam nas mais precárias condições.

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Aproveitando-se do desespero da população, traficantes vendem a travessia em embarcações superlotadas. Como consequência, muitos barcos têm naufragado, matando a maioria dos passageiros.

Os números da tragédia

Os números são estimados, pois não há um registro formal. É através de relatos dos poucos sobreviventes, que se calcula que milhares de pessoas já morreram na tentativa de chegar à #Europa. Somente em um destes barcos, resgatado nas proximidades de Catânia, Sicília, calcula-se que morreram 700 pessoas e há relatos de que mais 200 estariam no porão. Em outro episódio, ocorrido em Rhodes, Grécia, 90 imigrantes foram resgatados e mais de cem estariam desaparecidos.

Ainda nos últimos dias, dois barcos encontrados entre Malta e a Itália tinham 400 pessoas a bordo. Nestes, mil podem ter morrido.

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Nesta segunda-feira (20), a Guarda Costeira da Itália resgatou 638 refugiados que estavam a bordo de seis barcos. Hoje (21), outras 446 pessoas que viajavam em um pesqueiro foram resgatadas no sul da Calábria.

O que dizem as autoridades europeias

Em uma declaração emocionada, o prefeito de Catânia, Enzo Bianco, disse que "é inimaginável que a Europa vire as costas para populações desesperadas". Criticada por ter como objetivo o controle da entrada de imigrantes no continente, ao invés de salvar vidas, a chamada Operação Triton deverá receber mais verbas da Comissão Europeia.

Em reunião de emergência, representantes da União Europeia anunciaram dez medidas para tentar conter a #Crise. Entre as mais importantes estão o fortalecimento das operações de busca e resgate, a apreensão e destruição das embarcações utilizadas para tráfico de pessoas e a implantação de equipes de apoio ao asilo na Itália e na Grécia.

A prisão de capitães e ajudantes destes barcos não é suficiente para evitar que mais pessoas se arrisquem na travessia. Ao observar o mapa e conhecer a situação da Líbia, não é difícil entender porque tanta gente prefere fugir, em busca de alguma esperança do outro lado do Mediterrâneo.