"O mundo deve saber que não temos a intenção de enganar", disse Hassan Rouhani, em um discurso televisionado no Irã. Porém, Rouhani advertiu que o país teria outras opções caso as potências mundiais "um dia decidam seguir um caminho diferente". O acordo assinado nesta quinta-feira (2) vai interromper as atividades nucleares do Irã, em troca do fim das sanções econômicas sofridas pelo país.

Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que o acordo teve de incluir um "reconhecimento iraniano claro e inequívoco do direito de Israel a existir", e que "Israel não vai aceitar um acordo que permite que um país que promete nos aniquilar desenvolva armas nucleares".

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O Presidente Rouhani reiterou que o programa nuclear iraniano foi pacífico. O país não era "duas caras", disse ele, e honraria qualquer acordo final, desde que o P5 + 1 - os EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha - faça o mesmo.

Houve comemoração na noite da última quinta-feira, 2, em todo o Irã e uma recepção de herói para o Ministro do Exterior Javad Zarif. Mas o acordo que ele trouxe para casa foi criticado pela linha dura do país, a qual afirma o Irã ter se rendido muito em troca de tão pouco. John Kerry também enfrenta uma mistura de apoio e ceticismo no Congresso dos EUA.

Por mais difícil que fosse para chegar a este acordo preliminar, será ainda mais difícil a elaboração de um acordo até o final de junho. Mas, se os negociadores fizerem, será uma vitória para a diplomacia.

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Desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU aprovou seis resoluções exigindo que o Irã interrompesse a atividade, devido o fato de que o mesmo urânio, enriquecido para ser usado como combustível em reatores nucleares e para fins médicos, também pode ser usado para fazer bombas nucleares.

"Hoje é um dia que vai ficar na memória histórica da nação iraniana", disse Rouhani. "Alguns pensam que devemos lutar contra o mundo ou render-se a potências mundiais. Nós dizemos que é nem um nem outro, há um terceiro caminho. Podemos ter a cooperação com o mundo.", completou.