Em dezembro do ano passado, um professor de um colégio interno público da cidade de Erliban, na província de Hebei, norte da #China, foi preso por autoridades locais devido a acusações de abusos cometidos contra seus alunos. O homem, Li Jian, teria passado anos molestando adolescentes que estudavam na instituição, forçando-os a ir ao alojamento onde ficava hospedado. No local, os jovens eram torturados, amordaçados, violentados e ameaçados de morte, para que não contassem o ocorrido.

Uma das vítimas, cujos abusos o deixavam cada dia mais deprimido, resolveu contar para os pais a #Violência sexual que sofria na escola.

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Com a iniciativa, outros meninos decidiram registrar queixas contra o professor às autoridades, levando-o ao tribunal. No entanto, a punição recebida por Jian foi muito aquém do que se esperava. O acusado foi sentenciado a dois anos e 10 meses de prisão, pois não há previsão de pena para estupros de maiores de catorze anos na legislação chinesa. As vítimas não foram capazes de provar que os abusos do professor tinham ocorrido, também, enquanto eram mais jovens. Dessa forma, Li Jian acabou recebendo punição apenas por cárcere privado.

Os familiares das vítimas acreditam que as autoridades do país e da cidade têm falhado na proteção dos estudantes desse tipo de escola. Apesar das crianças chinesas serem, desde muito novas, enviadas para internatos, vivendo longe dos pais, ainda não existe no país um sistema que busque antecedentes de profissionais contratados por essas instituições, nem canais de denúncias apropriados para que as vítimas relatem abusos físicos ou sexuais.

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A quantidade de crianças chinesas que estudam nesse tipo de colégio interno é considerável: cerca de 30 milhões, de acordo com dados do Ministério de Educação. Ainda assim, há ainda muita obscuridade sobre o que ocorre dentro dos estabelecimentos, tanto por parte das autoridades quanto dos familiares.

O governo chinês afirma que está trabalhando na criação de um sistema nacional, capaz de trazer mais segurança aos estudantes do país. No entanto, a medida não servirá de alívio para os familiares das vítimas que já sofreram abusos, que lutam agora por uma maior punição para Li Jian e uma indenização por danos morais, que seria utilizada para o tratamento psicológico dos jovens molestados.