A condenação de uma mulher de 20 anos a prisão reacendeu o debate sobre o aborto nos Estados Unidos. Purvi Patel, 33 anos, foi a primeira mulher a ser condenada após cometer feticídio e abandono de menor após a interrupção da gravidez, segundo a National Advocates for Pregnant Women (NAPW), organização nacional de defesa dos direitos da mulher e de grávidas, com sede em Nova York.

O caso aconteceu na cidade South Bend, Indiana. A mulher alegou que o aborto foi involuntário, porém, a #Justiça afirma que ela tenha tomado várias drogas abortivas ilegais, pois foram encontradas em seu celular mensagens para uma amiga onde ela contava que havia comprado remédios abortivos pela internet.

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No hospital da cidade, Patel alegou às autoridades, que em estado de choque, havia atirado o feto já sem vida no lixo atrás de um Shopping Center, o que foi confirmado pela polícia.

Ela disse aos investigadores que havia descoberto a gravidez há somente três semanas e estava escondendo a gravidez dos pais, pois são de origem indiana, sendo muito conservadores. Apesar das mensagens encontradas no celular da moça, os exames não detectaram nenhuma droga no organismo da mulher nem do bebê, por isso, os promotores acreditam que o feto tenha nascido vivo e a mulher tenha o assassinado, pois seus pulmões indicavam sinais de respiração, acusando-a, também, de "abandono de incapaz".

Aborto é permito, mas feticídio não

Há muito tempo o aborto já é permitido nos Estados Unidos, variando de um estado para outro as suas condicionantes, não se aplicando a abortos feitos em clínicas. Cerca de 42 estados americanos proíbem terminantemente o aborto após determinado período de gestação. Uma lei do estado indiano proíbe "o término de uma gravidez consciente ou intencionalmente", por qualquer pretexto que não seja dar à luz a um bebê vivo, retirando o feto morto ou praticar o aborto ilegalmente. A juíza Elizabeth Hurley disse a Purvi Patel que ela poderia ter executado o aborto de forma legal, porém ela preferiu se desfazer do filho de forma ilegal, com um agravante de tê-lo jogado na lata do lixo de um Shopping Center. O advogado da mulher pretende recorrer da decisão da justiça.

Polêmica

A condenação de Purvi Patel levanta um fervoroso debate entre os americanos, pois a lei do feticídio foi criada para proteger as mulheres gestantes de abortos ilegais, onde elas corriam risco de vida nas mãos de charlatões.

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O caso de Patel não é o primeiro. Em 2011, uma chinesa que tentou cometer suicídio com oito meses de gestação foi acusada pelo mesmo crime, porém o caso não seguiu adiante. O acontecimento abre caminho para que a lei seja empregada cada vez mais contra as próprias mulheres.