Uma tônica que deve ser predominante nas próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos, que serão realizadas em 2016, é a discussão já secular sobre os conflitos raciais no país. O tema reapareceu com muita força na pauta de assuntos comentados por políticos norte-americanos após uma série de protestos que tomaram várias cidades do país, sobretudo, aquelas onde nos últimos meses ocorreram assassinatos covardes de jovens negros por parte de policiais brancos, como em Ferguson (Missouri), Nova York e, mais recentemente, em Baltimore (Maryland).

Para o jornalista e escritor, Emiliano José, professor aposentado de Comunicação e Política da Universidade Federal da Bahia, o tema relacionado aos últimos conflitos raciais ocorridos nos Estados Unidos já está influenciando a política norte-americana.

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"Obama já chegou a tomar medidas tímidas que levam em conta tais conflitos. O sistema político americano é muito engessado entre democratas e republicanos, este o lado mais direitista. São difíceis a afirmação de políticas de esquerda", afirma Emiliano. "Penso, no entanto, que as manifestações podem provocar os candidatos a levarem em conta as reivindicações dos negros, que vem de longe", conclui.

Antes dos crimes policias contra jovens negros ocorridos em Ferguson, Nova York e Baltimore, os temas que habitavam com maior frequência a pauta de discussão dos políticos norte-americanos eram: imigração, economia e política externa. Todos estes foram ofuscados nas últimas semanas após uma série de protestos terem se espalhado nos Estados Unidos. O mais intenso deles ocorreu em Baltimore, no dia 27 de abril, logo após o funeral do jovem Freddie Gray, que não resistiu aos graves ferimentos sofridos em decorrência de um espancamento realizado por policiais, todos brancos, que o deteram por suspeita de porte de canivete, o que não foi encontrado.

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Durante os protestos em Baltimore, segundo dados divulgados pela polícia local, cerca de 200 pessoas foram detidas e 144 veículos, além de 15 prédios, foram incendiados por toda a cidade. A fúria dos protestantes, quase todos negros, era tão grande, que o Governo de Maryland decretou estado de emergência e convocou a Guarda Nacional para conter a #Manifestação. Além da questão racial, os últimos conflitos trouxeram à tona a discussão a acerca do atual sistema criminal norte-americano. O que chama atenção é o fato de que, dessa vez, democratas e republicanos parecem concordar com a real necessidade de mudança quanto a esse problema no país.

De acordo com Emiliano José, o atual sistema criminal dos Estados Unidos caminha para o esgotamento. "O sistema criminal americano é terrível e seguramente racista. Campeão de número de presos, parece estar caminhando para o esgotamento. Essa história de tolerância zero é uma política que criminaliza os pobres e os negros. Mudança haverá, creio que a médio prazo", afirma.

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"A sociedade americana tem marcas racistas muito fortes. Creio que ainda haverá muita luta até que se chegue a uma sociedade mais civilizada e capaz de aceitar a diversidade", conclui Emiliano. #EUA