Foi com um tweet que o ministro irlandês pela Igualdade Social, Aodhan O'Riordain, anunciou o resultado preliminar do primeiro referendum para decidir uma mudança na Constituição do país, inserindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo no texto. A Irlanda entra para a história por ser a primeira a aprovar o casamento gay a partir da votação popular. Mais de 3,2 milhões de irlandeses participaram do plebiscito.

Os eleitores tinha que votar "sim" ou "não" a proposta de incluir um artigo na Constituição que redefine a instituição familiar com uma cláusula segundo a qual "o casamento pode ser contraído em base à lei, por duas pessoas, sem distinção de sexo".

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Com a vitória esmagadora do "sim", de agora em diante, os homossexuais do país podem se casar legalmente e passam a ser tutelados pela Constituição irlandesa.

A Irlanda não é a primeira nação a legalizar o casamento gay, mas entra para a história por ser a primeira a recorrer a um plebiscito. O país já reconhecia a união civil homossexual desde 2010, mas apenas o casamento é protegido pela Constituição. Qualquer emenda tem que ser aprovada pelo Parlamento e posteriormente, aprovada através de uma votação popular.

A esmagadora vitória do "sim" representa uma grande reviravolta cultural na ilha onde a maioria dos habitantes se declara católico e onde, até 1993, ser homossexual era considerado um crime. "Com este referendum, o povo irlandês está enviando uma mensagem pioneira", comentou o primeiro ministro irlandês Enda Kenny.

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A campanha pelo sim contou com o apoio dos principais partidos políticos e celebridades, como Bono Vox, do U2. Outro reforço importante foi o apoio de muitos irlandeses expatriados, que voltaram para casa apenas para poder votar. No Twitter, a campanha a hashtag #HomeToVote trouxe de volta irlandeses residentes nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e até de Nairobi, como o caso do operador humanitário Cormac O'Sullivan.

Outro aspecto interessante foi o confronto de gerações com os mais jovens favoráveis ao casamento gay e os mais velhos, ligados à tradição e a religião e, evidentemente, contrários à mudança na Constituição. Engana-se quem pensa que o "não" era unanimidade entre os católicos: na opinião do sociólogo católico Massimo Introvigne, os casos envolvendo padres pedófilos pesou negativamente o voto, tirando a credibilidade da Igreja católica no país. #Europa #União Europeia