Dois episódios ocorridos recentemente, um na França, outro na Argélia, prejudicaram estudantes muçulmanas porque suas roupas foram consideradas inadequadas.

Na França, que já proibiu o uso de véu nas escolas públicas, uma estudante foi impedida de assistir a uma aula, porque estaria usando uma saia muito longa. Obviamente, a estudante muçulmana foi acusada de estar vestida de acordo com sua #Religião, pois qualquer aluna poderia optar por comparecer à escola usando uma saia longa e isto nada significaria.

Na Argélia (ex-colônia francesa), uma estudante de Direito foi barrada pelo segurança da Universidade Said Hamdine, em Argel, no dia 9 de maio, sob alegação de que sua saia estava muito curta.

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Assim, a moça não pode fazer a prova final do curso. Mas a história foi parar nas redes sociais por razões ainda mais avessas. O reitor da Universidade, Mohamed Tahar Hadjar, apoiou a decisão do segurança e alegou que o regulamento não obriga o uso do véu, "mas exige dos estudantes decência no que vestem".

A resposta foi imediata. Em apoio à estudante, a conhecida feminista e ativista dos direitos humanos no país, Sofia Djama, criou no Facebook uma página que batizou de "Ma dignité n'est pas dans la longeur de ma jupe" (minha dignidade não está no comprimento da minha saia). Em poucos dias, alcançou mais de 15 mil seguidores. Indignados, rackers conservadores ou radicais invadiram a página, alterando seu conteúdo e colocando digitalmente uma bandeira do Estado Islâmico. Mais surpreendente ainda foi a reação de outros argelinos, que passaram a postar fotos mostrando mulheres e meninas vestidas "como manda o figurino", com o véu e as tradicionais roupas islâmicas, e afirmando que "quem é homem deve saber conter suas mulheres".

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Sabe-se que há exigências quanto ao modo de vestir em muitas culturas, tanto a opção religiosa de cada um, quanto as escolhas pessoais devem ser respeitadas. O que parece estar deslocado no tempo e no espaço é o fato de que alguém seja obrigado a seguir determinadas regras, que em nada afetam seu comportamento ou profissão.

Os fatos podem parecer banais, porém o que está em discussão é a liberdade e o respeito. Ao barrar uma aluna, o que está sendo imposto vai além de uma convenção cultural. O que está em jogo, tanto na liberal França - que prega que todos os alunos devem ser ou parecer iguais -, quanto na Argélia, país majoritariamente muçulmano, é que às mulheres não é dada a liberdade de escolha. Demonstrar ou não demonstrar sua fé passa a ser o cerne da questão.