Vem do sudeste asiático, às margens da China e ressurgido de sangrentas guerras em quase metade do século 20 um grande exemplo no que diz respeito à valorização da #Educação e o fortalecimento na qualidade do ensino. De passado dividido entre Norte e Sul, com forte intervenção dos Estados Unidos, o Vietnã estabilizou-se com o passar dos anos ao aquecer sua economia interna e colocar a educação no topo de qualquer tipo de prioridade.

Os resultados não tardaram a aparecer. Na última prova do Pisa (Programa para avaliação internacional de alunos), coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que, curiosamente, era a primeira participação do Vietnã nesse exame, o resultado dos jovens vietnamitas surpreenderam inclusive as próprias autoridades do país asiático.

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  Em exercícios que envolviam leitura, matemática e ciências, os estudantes vietnamitas de até 15 anos atingiram pontuações superiores a alunos de países mais desenvolvidos, tais como Grã-Bretanha e Estados Unidos. Andreas Schleicher, diretor da OCDE classificou o desempenho do Vietnã na prova como “excelente”.

Por trás dos surpreendentes índices alcançados está um planejamento a longo prazo, apoiado em um tripé que sustenta o crescimento da educação: comprometimento do #Governo federal, plano de estudos bem elaborado e forte investimento nos professores.

Uma estatística do ano de 2010 é sintomática no sentido de ilustrar o quanto se valoriza o ensino no país. De todos os gastos públicos obtidos naqueles 12 meses, 21% foram aplicados exclusivamente na educação. Vai mais além.

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Desde 2007, o governo local aloca um mínimo de 20% da arrecadação em investimento nas escolas. Para efeito de comparação, o Brasil, que busca ampliar o sistema educacional, o percentual é menor que 15%.

Modelo a ser seguido

O plano de estudos milimetricamente desenvolvido para os estudantes vietnamistas objetiva fazer com que os alunos se aprofundem em conceitos centrais nas mais diversas disciplinas. Deste modo, os educadores compreendem que, ao finalizarem o período de estudos, os jovens estarão aptos a aplicarem na prática aquilo que se aprendeu na teoria, não apenas no contexto familiar.

Não há dilema entre qualidade ou quantidade no país asiático. Para eles, não importa se será pouco, desde que bem feito. Os mestres se concentram em ensinar o conteúdo suficiente, mas com riqueza de detalhes e alto grau de coerência. O rigor é alto em sala de aula. Não raro, os professores desafiam seus pupilos com perguntas enigmáticas e difíceis.

No país, também há um consenso de que os professores devem investir na própria carreira, buscando o aperfeiçoamento e o conhecimento de novos conceitos e técnicas.

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Tal dedicação é recompensada. Os professores de matemática, por exemplo, recebem mais formação profissional do que a média das outras nações que formam a OCDE.

Com essa relação de confiança, sem esquecer a cobrança, os mestres tornam-se respeitados dentro e fora da sala de aula. O prêmio de “professor de excelência”, concedido aos professores de mais destaque, o credenciam a concorrer em competições regionais e nacionais de ensino, em uma clara estratégia de valorizar a categoria, que, assim como o Brasil, não conta com grandiosos salários.

Após 2007, os governantes do Vietnã condicionaram o aumento salarial dos professores a mais qualificação profissional. Além disso, tudo passou a ser avaliado. Da gestão ao número de professores, do conteúdo da sala de aula a carga horária, os dados obtidos possibilitaram uma comparação de cada escola no país.

A partir daí, as medidas que se tornaram receita de sucesso em um país com 84 milhões de habitantes não foram mirabolantes ou revolucionárias. Foram simples, mas levadas a sério. A primeira delas, claro, mais dinheiro para a educação. Depois de um maior investimento, o leque se abre: treinamento para professores, meritocracia, índices de performance e avaliação constante das escolas – isso tudo sem precisar se autodenominar “Pátria Educadora”.