De acordo com o jornal Daily Mail UK, somente aos 23 anos de idade, Sarah Wilson criou coragem para contar sua história como uma das vítimas do que viria a se tornar um dos maiores escândalos de abuso no Reino Unido. Ela escreveu um livro chamado "Violated", relatando como foi constantemente violentada até os 16 anos, quando eles perderam o interesse por considerá-la "velha demais".

A jovem afirma que não tinha ideia de que era vítima de uma lavagem cerebral. Aos 11 anos, foi estuprada por um homem de 30 anos de idade em um pátio da escola. Logo depois de completar 12, Sarah entrou em um carro com um imigrante de 35 anos e perdeu sua virgindade.

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Ela explica: "Aos 11, homens mais velhos me enchiam de presentes e fingiam ser meus amigos. Me chamavam de linda e davam qualquer coisa que eu quisesse. Alguns até diziam que me amavam, até o momento que me levaram para cidades estranhas para ter relações com eles e todos os seus colegas."

Sarah conta que eram tantas garotas passando pela mesma situação que elas pensavam ser algo normal. Eles a levavam para um local a milhas de distância e a forçavam a ter relações íntimas com até sete homens em uma fileira; recusar não era uma opção. Além de terem a viciado em álcool e cocaína, eles ameaçavam sua família; advertiam que iriam encher sua casa de gasolina e explodi-la.

Ela revela que a polícia e os serviços sociais não se importaram em ajudá-la. Ela só foi libertada ao completar 17 anos, quando passou a ser considerada "velha demais" para os pedófilos.

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Sua mãe procurou a polícia inúmeras vezes e nada faziam, pois os superiores - políticos - estavam preocupados com possíveis acusações de racismo, já que praticamente todos os abusadores eram paquistaneses muçulmanos.

No lar para crianças, em vez de serem protegidas, elas tornavam-se ainda mais vulneráveis: "Lá meus agressores me buscavam de táxi todos os dias. Quando eles me levavam de volta pela manhã, a equipe até mesmo os pagava. Aos 17, finalmente escapei dos estupradores, com a ajuda da minha mãe e de um amigo da comunidade paquistanesa que interviu."

Foi só a partir de 2010 que uma investigação do The Times encontrou milhares de meninas que haviam sido vítimas do grupo de maníacos. Algumas, além de terem sido torturadas e estupradas, eram obrigadas a assistir o mesmo acontecendo com outrem; outras chegaram a ser vendidas para outros abusadores, em cidades do Norte do país.

Agora, livre dos homens que a violentaram, Sarah está tentando seguir em frente. Ela conta que se sente insegura à noite e quase nunca pega táxis, pois a maioria dos estupradores eram taxistas.

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"Percebi que não preciso ser uma vítima para sempre. Sou uma sobrevivente, e posso fazer a diferença. Juntamente com outras vítimas, estou trabalhando com a polícia e instituições para ajudar os profissionais a reconhecer os sinais de abuso infantil. Quero ajudá-los a ver que nenhuma criança pode consentir relações com um homem adulto, e entender que não importa a etnia de alguém se ele está drogando e abusando de uma adolescente vulnerável. Não quero que meus filhos sejam um alvo como eu era. Meus agressores roubaram minha juventude, mas não vou deixá-los roubar meu futuro", desabafa Sarah.

A irmã de Sarah, Laura, tinha 17 anos quando foi esfaqueada mais de 40 vezes e jogada em um canal pelo namorado paquistanês. Ashtiaq Ashgar assassinou Laura em 2010, depois que ela contou à família dele sobre o relacionamento secreto dos dois. #Crime #Violência