"Eu ganho 12.000 dinares (10 dólares) por dia. Eu queria tanto fazer mais, porém estamos em guerra e como eu, há muitas outras crianças que concorrem comigo por qualquer trabalho que surja". Essa frase foi dita na cidade de Erbil no Iraque, mês passado, debaixo de 36º C ao meio-dia, por um jovenzinho de 12 anos de nome Mohammad Fadae, enquanto ele ia para o emprego numa loja de peças automotivas. De fato, quem é Mohammadd? Ele é mais uma dentre milhões de crianças refugiadas da cidade síria de Qamishli.

Fadae vive há mais de 2 anos no campo de refugiados de Kawergosk, território iraquiano. Antes desse trabalho, o menino tentou outras atividades como vender goma em sinais de trânsito, lavar carros, trabalhar em fazendas nas vilas perto do acampamento e contrabandear itens de ajuda aos refugiados, parando com este último, após as autoridades do campo o ameaçarem de prisão.

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No campo de refugiados as crianças correm com roupas esfarrapadas, se arrastando com grandes vasilhas de água ou fazendo outras tarefas para as suas famílias. De acordo com as fundações Unicef e a Save the Children, apenas 45% das crianças estão matriculadas em escolas de refugiados ou de Pessoas Deslocadas Internamente. Fora dos campos, nas vilas e pequenas cidades que acolhem os refugiados, a situação ainda é pior, com apenas 30% das crianças indo às escolas. Mais de 1000 escolas em toda a região curda do Iraque são usadas ​​como abrigos para cerca de 50.000 migrantes iraquianos e 76% das crianças refugiadas internamente no Iraque perderam o ano letivo.

Crianças em idade tão tenra ajudam decisivamente na sobrevivência de suas famílias, mas também são vítimas de condições físicas degradantes até mesmo para adultos; são presas fáceis na guerra que solapa a região; se tornam alvos dos predadores sexuais dementes que existem em qualquer parte do globo e como se tudo isto não bastasse, estão sendo recrutadas muitas vezes à força para se juntar ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) ou simplesmente #Estado Islâmico.

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Relatório da Unicef publicado em junho diz que "os países vizinhos da Síria estão lutando para lidar com um afluxo de quatro milhões de refugiados, sendo a metade de crianças". Uma outra curiosidade trágica de tudo isto é que além das crianças que abandonam a #Escola para encontrar trabalho, os professores também abandonaram as salas de aula pelo trabalho remunerado, uma vez que estavam sem receber salários e precisam ter outros empregos para garantir o futuro deles e de sua famílias.

Parentes das crianças sobreviventes a esta tragédia histórica do século XXI, relatam que as mesmas ficam constantemente "perdidas nos seus pensamentos solitários, nunca os compartilhando." Um psiquiatra que atua numa ONG internacional que está na região curda do Iraque disse que as crianças sofrem cada vez mais de Transtorno de Estresse Pós-traumático e que precisariam de ajuda psicológica imediata e é aí que entram as escolas neste papel de volta a uma vida normal. Como bem disse o professor Sofyen Khafaoui da Save the Children: "a escola não é apenas um lugar onde se vai para aprender, mas também é onde as crianças constroem seus ideais, moldando a mentalidade, o que as ajuda a ter objetivos, interagir e crescer." Entretanto, a não ser que ocorra um milagre, isto parece estar longe de tornar-se realidade as crianças daquela parte do mundo.

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#Terrorismo