Após aceitar o acordo com o Eurogrupo na segunda-feira (13), o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, agora se vê envolto em uma grave crise política. Apesar de alardeada como vitória em Bruxelas pelo credores, a aceitação das imposições de austeridade não foi vista com bons olhos pelo povo e por aliados da base governista da Grécia, que já demonstravam insatisfação com os rumos tomados pelo Executivo. Considerado por muitos como vergonhoso para o país e seu povo, o acordo impõe duras medidas que causaram um grande desconforto entre vários componentes do Syriza, partido do governo.

Após o acordo, o ministro adjunto para os Assuntos Europeus, Nikos Choutis, abriu mão do ministério e do cargo de deputado, sendo o primeiro a deixar o governo essa semana.

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Ele pertence a ala Plataforma de Esquerda, a mais radical do Syriza, que afirmou ter sido o pior acordo possível, já que mantém o país como "uma colônia de dívida" em uma #União Europeia dominada pela Alemanha.

O cenário desfavorável para Tsipras já havia se mostrado na sexta (10), quando 15 parlamentares do Syriza, entre eles a presidente do Parlamento, Zoe Constantopoulou, não deram apoio à aprovação das propostas a serem enviadas ao Parlamento europeu no sábado (11) dando início ao desfecho do acordo. Sem apoio do partido, a maioria só foi conseguida com ajuda dos votos da oposição.

Nesta quarta-feira (15), Alexis Tsipras precisará mais uma vez do aval do Parlamento para seguir com o acordo. Porém, tudo indica que será necessário contar novamente com os votos e o apoio da oposição, que a essa altura já se mostra favorável a uma participação no governo para agilizar a implementação das medidas impostas pelo Eurogrupo para o auxílio à Grécia.

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'Não' volta às ruas

Tudo indica que boa parte da população também não recebeu o acordo de forma positiva. Ainda na segunda-feira (13), o sindicato dos funcionários públicos, Adedy, decidiu declarar greve de 24 horas na quarta-feira (15), dia em que serão votadas, no Parlamento grego, as medidas para prosseguimento do acordo. O sindicato também deverá realizar, no mesmo dia da paralisação, um protesto na praça Syntagma, em Antenas, que fica em frente o Parlamento e tem sido o principal ponto de manifestações na capital grega.

Junto à convocação de greve, o Adedy também declarou apoio ao protesto organizado na noite da segunda-feira pelo partido radical de esquerda Antarsya, que reuniu centenas de cidadãos na praça Syntagma, onde vários gregos demonstraram sua insatisfação utilizando a mesma palavra de ordem do referendo de 05 julho: OXI ("Não", em grego), negando mais uma vez o acordo e a permanência na zona do Euro. Para os que votaram "Não" no referendo, a aceitação do acordo vai contra a democracia e o desejo do povo grego, como afirma Stratos Labrinos, engenheiro politécnico e membro do partido Gregos Independentes: "Um referendo é sempre uma coisa correta, é o povo que decide o que ele quer, e o nosso povo não quer outras medidas.

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Muito simples. Se o governo vota as medidas, significa que não escuta o povo grego".

Para Labrinos, a única solução nesse cenário seria romper radicalmente: "A Europa não quer dar o Euro para Grécia e a maioria nem quer a Grécia no Euro. Por questão de princípio, por que temos que suplicar? A resposta é NÃO". #Crise econômica