Alguns podem dizer que o "cenário do mundo está mudando" e realmente está. Ao menos no que diz respeito as prolongadas negociações e resultados do acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã em julho de 2015. De imediato, o acordo desonerou o Irã de uma série de sanções que vinha sofrendo das nações encabeçadas pelos americanos. Um outro detalhe importante da negociação é o maior controle e supervisão que a sociedade internacional terá, ao menos teoricamente, sobre o programa nuclear iraniano.


A intermediação do acordo com o Irã foi feita pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (#EUA, Rússia, China, França e Inglaterra) mais a Alemanha; porém, está dividindo a opinião pública internacional, pois certas pessoas acreditam que a ação tem a chance de normalizar o Irã com o passar do tempo, abrindo o país das restrições políticas do comércio e para o investimento estrangeiro e há os céticos que temem o aumento do sectarismo iraniano com tentáculos mais longos sobre todo o Oriente Médio.


O retorno aquecido do Irã ao cenário político mundial, lembra uma expressão que está sendo bastante usada na comunidade internacional: "Crescente Xiita". Enfim, os países da região aguardam com apreensão e curiosidade as cenas dos próximos capítulos deste jogo político-econômico e militar. Israel está preocupado com o corredor norte desse cerco e como se estende para o Líbano através da Síria; países do Golfo estão preocupados com o seu alcance sul e do potencial para desestabilizar as províncias predominantemente xiitas, produtoras de petróleo na costa do Golfo.


Já os turcos têm motivos de sobra para se manterem atentos tanto ao norte quanto ao sul. A 1.ª preocupação é a Síria; tanto em termos do futuro do presidente Bashar al-Assad que vê nos turcos sérios inimigos do regime sírio. O 2.º perigo é a ameaça de um "cinturão curdo" emergente no norte do país e Ankara está desconfortável com a ligação entre o partido proscrito dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o Partido da União Democrática (PYD).


Mas para a Turquia, há também uma série de oportunidades interessantes (quase todas de natureza econômica) com o acordo do Irã. O ministério turco da economia se preparou para o alívio das sanções sobre o seu vizinho e o elegeram como um alvo comercial importante em 2015 e 2016. Ambos os países estão cooperando não só no comércio, mas também no turismo. Tanto que os empresários turcos possuem interesse direto no Irã, instando o próximo governo que priorize os objetivos das empresas turcas na região. O Irã poderá "ajudar" comercialmente as províncias mais pobres do leste e sudeste da Turquia. Um benefício diante do alívio da sanção iraniana, é que ele pode abrir uma porta para os interesses energéticos da Turquia, uma vez que os turcos se interessam em adquirir maiores volumes de fornecimento de gás natural para suas indústrias (matéria-prima iraniana).


Com a suspensão das sanções, ambos os países têm a chance de melhorar sensivelmente as suas relações econômicas, aumentando o turismo e cooperação comercial. As duas nações necessitam fortalecer as antigas relações culturais, históricas e econômicas. Todos esperam que a Turquia e o Irã escolham se fixar em aspectos cooperativos de relacionamento, optando em arquivar desavenças políticas propensas a conflitos mútuos. A confiança é o único remédio que poderá aliviar e curar as feridas entre turcos e iranianos, mas só o tempo convencerá a todos das respostas corretas.
#Negócios #Comportamento