Um acordo de paz histórico está prestes a acontecer na Colômbia. Depois de anos de conflito, finalmente um entendimento plausível pode ser efetivado nos próximos dias. Isso porque, o #Governo colombiano anunciou no último domingo, dia 12 de julho, que deve reduzir as operações militares contra a guerrilha, caso as Forças Armadas Militares da Colômbia, Farc, mantenha firme a decisão por uma trégua unilateral, prevista para ser iniciada já no próximo dia 20.

A trégua da guerrilha e a possibilidade de acordo vieram em um momento crucial para o país latino-americano, já que o conflito vivia, nos últimos meses, um período acentuado de ataques.

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O anuncio do governo colombiano foi feito pelo presidente Juan Manuel Santos em Havana, capital de Cuba, local onde, desde 2012, ocorrem as negociações para o tão esperado acordo de paz na Colômbia. O fim do conflito é aclamado pela população colombiana, já que, em cerca de cinco décadas, mais de 200 mil pessoas já morreram no país.

Apesar da grande expectativa para o entendimento entre governo e as Farc, o porta voz do presidente Santos alertou que a redução militar, caso venha mesmo acontecer, não significa uma trégua por parte do governo colombiano, que permanecerá atento a qualquer tentativa de ataque da guerrilha, reforçando de forma até mais significativa, caso esse incidente ocorra, o ataque militar das Forças Armadas Nacional. O objetivo, segundo o porta voz do governo, é não se iludir com o anúncio da trégua feita pela Farc para não se frustrar futuramente e acabar dando a brecha para possíveis tragédias.

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Verificação da ONU e da Unasul

Um fato curioso nesse processo de negociação de paz na Colômbia é que equipes de fiscalização foram criadas tanto na ONU, Organização das Nações Unidas, quanto na Unasul, União de Nações Sul-Americanas, para verificar se ambos os lados, governo e guerrilha, vão cumprir com o acordo prometido. As equipes devem fazer reuniões avaliativas a cada quatro meses a partir da definição do entendimento.

Para o historiador João Marcos dos Santos, a verificação é válida, mas não garante a efetivação do acordo de paz na Colômbia. "A notícia da trégua vem em muito boa hora, já que o conflito vem se acentuando ultimamente, contudo, ainda é muito cedo para se falar com convicção que haverá mesmo um acordo de paz. A verificação que a ONU e a Unasul se propõem a fazer é importante, porém, não garante nada, já que é na prática que vamos saber o que vai mesmo funcionar ou não", explica João Marcos.

"São décadas de conflito e tem muita ferida ainda não cicatrizada nessa história.

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Não vai ser assim tão simples. O governo tem ouvido a aclamação popular pela paz, mas não quer dar brecha para um possível ataque da guerrilha. Da mesma forma que as Farc têm os seus interesses numa trégua agora, mas não se sabe o que pode vir depois. O certo é que seria ótimo para a Colômbia e para toda a América Latina o fim desse conflito. Isso teria grande impacto nas relações comerciais entre os países. No entanto, é preciso ter pé no chão e negociar de forma justa para que a população colombiana seja, de fato, a vitoriosa no fim dessa triste e sangrenta história", conclui o historiador.