Foi divulgado na última terça-feira, 14, o acordo nuclear entre o Irã e as grandes potências mundiais, o G+1: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e Alemanha. As conversas em torno do acordo duraram quase dois anos, devido a uma série de fatores complexos, que impediam a agilidade para se chegar a um entendimento. O anúncio do acordo foi realizado na cidade de Viena, na Áustria. Em troca de sanções mais brandas no mercado, o Irã decidiu acatar o pacto proposto pelos países mais ricos do mundo, que limitam o avanço nuclear dos iranianos.

O acordo foi batizado como Completo Plano de Ação Conjunto, e foi mais uma conquista da política externa realizada pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

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Em pronunciamento feito na Casa Branca, Obama disse que o pacto não será feito na base da confiança, mas sim, na base da verificação, e o objetivo maior é impedir que o Irã produza armas nucleares, o que, segundo ele, seria um risco muito grande para a humanidade e poderia colocar os norte-americanos em mais uma guerra. O presidente do Irã, Hassan Rowhani, afirmou que o acordo é satisfatório e que o Irã terá lugar de destaque no mundo a partir de agora.

Pontos do acordo

Dentre os pontos nos quais o Irã se comprometeu em cumprir estão:

  • Redução do enriquecimento de urânio durante os próximos dez anos
  • Redução do estoque de urânio
  • Permissão para que inspetores da ONU visitem suas instalações militares e nucleares (com a exceção de americanos, por não manterem uma boa relação com os iranianos)

Já os pontos que deverão ser cumpridos pelas grandes potências são:

  • Sanções econômicas deverão ser retiradas assim que comprovada o cumprimento do acordo pelos iranianos após as inspeções
  • Sanções sobre os comércio de armas e mísseis serão mantidas pela ONU dentro de um período de até 8 anos
  • Sanções poderão ser retomadas caso se comprove o não cumprimento do Irã dos acordos fechados em Viena

Acordo histórico

Para o historiador João Marcos dos Santos, o acordo nuclear com o Irã é histórico, mas é preciso haver cautela.

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"A principio parece que houve um entendimento entre as partes, mas é preciso ficar sempre atento, pois as animosidades entre o Irã e o ocidente é uma questão histórica, sobretudo, com os Estados Unidos, visto sempre pelos muçulmanos como o 'grande Satã'. Rowhani está vendendo aos iranianos a ideia de que o país vai ganhar muito economicamente, o que pode melhorar a vida das pessoas. Porém, a limitação nuclear pode mexer com o orgulho dos iranianos, e nada garante que esse acordo seja definitivo", alerta João Marcos.

O acordo exige que o Irã fique pelo menos dez anos sem avançar nos estudos nucleares, o que vai impedir que o país construa uma bomba atômica. "Essa foi a forma que o mundo ocidental rico encontrou para garantir um mínimo de paz pelo menos durante uma década para suas famílias. O medo de uma bomba atômica cair nas mãos daqueles que eles consideram terroristas tira o sono dos norte-americanos há bastante tempo. Acho sim que o acordo é histórico porque só de haver um dialogo entre Irã e ocidente por si só já é histórico", afirma João Marcos dos Santos.

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"Todavia, será preciso que as inspeções da ONU sejam mesmo eficientes, pois muita coisa pode mudar, sobretudo, quando Obama sair do governo, já que é ele, sem dúvida alguma, a figura por trás desse acordo. Acredito que o Irã tem muito a ganhar no comércio exterior caso 'andem na linha', como os estadunidenses querem, mas é preciso tratar as coisas com diplomacia e não com arrogância, como os norte-americanos sempre fizeram com o oriente médio. Esse acordo não é uma vitória dos EUA, caso ele, de fato, dê certo, é uma vitória de todo o mundo", conclui o historiador. #Negócios